No próximo domingo, dia 19, Heliópolis completa 50 anos. Em celebração à data, a comunidade ganhou um espaço ao ar livre dedicado às crianças, com jogos e brincadeiras concebidos especialmente para ajudar a desenvolver as habilidades emocionais, cognitivas, físicas, sociais e criativas. A ação é parte do Favelas do Brincar, uma iniciativa do Movimento Unidos pelo Brincar, que promove uma série de intervenções lúdicas dedicadas ao desenvolvimento das crianças que serão implementadas em áreas públicas de favelas.

O projeto já aconteceu em Paraisópolis (SP) e Complexo do Alemão (RJ). Em Heliópolis, os moradores se envolveram em um processo participativo para colaborar na construção dos espaços, a partir da escuta das crianças e apoio da  Ação Comunitária Nova Heliópolis, associação que contribui para a realização de novos projetos na comunidade, além de contribuir para o debate democrático nas áreas de habitação, educação, saúde, cultura, esporte e lazer.

Importância do brincar

Ao pensar no impacto das desigualdades nas infâncias das grandes cidades brasileiras, é impossível desassociar a discussão sobre os territórios e como as pessoas circulam por eles. Dependendo de onde moram e dos locais onde circulam, as crianças têm menos acesso ao lazer e ao brincar, essenciais para o desenvolvimento integral. São também mais expostas a situações de violência. É o que mostra uma pesquisa o Brincar nas Favelas Brasileiras, publicada em maio deste ano, em uma parceria do Unidos pelo Brincar, Instituto Locomotiva e Data Favela.

Foram entrevistadas 816 mães, moradoras de favelas em São Paulo, Recife e Porto Alegre. Para dois terços delas (66%), o cuidado com as crianças é a atividade que mais ocupa tempo. Além disso, 68% declararam ter pouco tempo para conciliar os cuidados com a casa e com as crianças e 63% enfrentaram dificuldade para ajudar as crianças nos estudos, devido à escassez de tempo; 62%, em conciliar o trabalho remunerado com os cuidados da casa e das crianças; e 50%, em encontrar tempo para brincar com elas.