“João Pedro, de 14 anos, levou um tiro de fuzil nas costas enquanto brincava dentro de casa com os primos. Guilherme Guedes, de 15 anos, desapareceu em frente à casa da avó e foi encontrado no dia seguinte, com sinais de tortura e dois tiros no rosto. E Igor Rocha Ramos, de 16 anos, foi morto enquanto ia comprar pão – sua mãe se recuperava da covid-19 em casa. O que conecta as mortes desses três adolescentes? Em crimes cujos principais suspeitos são policiais, os três foram assassinados em 2020 – ano em que, para suas mães, a maior preocupação era protegê-los do novo coronavírus, que começava a assombrar o mundo.”

Assim é descrito o documentário “As histórias por trás de recorde de mortes pela polícia em plena pandemia“, por Ligia Guimarães, da BBC News. No vídeo, a jornalista conta algumas histórias que simbolizam a desproporcional morte de negros pela polícia no Brasil.

De acordo com o projeto Criança Livre, os dados mais recentes do Atlas da Violência 2020, que analisa o período de 2008 a 2018, mostram que houve uma redução no número de homicídios registrado no país em 2018: foram 57.956 mortes naquele ano.

Ao olhar os dados com mais atenção, no entanto, é possível verificar as evidências do racismo estrutural no país: os assassinatos de pessoas pretas ou pardas, segundo classificação do IBGE, cresceram 11,5% nos últimos 10 anos; enquanto a taxa de assassinatos de pessoas brancas caiu 12,9%. As mulheres negras representam 68% do total das mulheres assassinadas no Brasil. A taxa de mortalidade é de 5,2 por 100 mil habitantes, quase o dobro quando comparada à das mulheres não negras.

Ainda segundo o projeto, ao fazer o recorte para a situação da juventude negra, 30.873 jovens, com idade entre 15 e 29 anos, foram mortos. De 2008 a 2018, o índice de mortes dessa parcela da população passou de 53,3 para cada 100 mil jovens, para 60,4. De acordo com o Atlas da Violência, do total de óbitos, 55,6% das mortes foram de jovens homens entre 15 e 19 anos.

Além disso, publicado em janeiro de 2021, o documentário aponta a dupla crise enfrentada pelas periferias do Brasil durante 2020: a pandemia e o recorde do número de mortes pela polícia. Mesmo com menos pessoas circulando nas ruas em meio ao isolamento, foram 3181 mortes cometidas por policias e intervenções – 6% a mais do que o mesmo período de 2019.

Para saber histórias reais que refletem tais números durante a pandemia, confira o vídeo abaixo: