Um estudo da Fundação Abrinq revelou que as desigualdades regionais são mais severas para crianças e adolescentes no Brasil. Enquanto 40% de pessoas com menos de 14 anos vivem em situação de pobreza no país, em estados como Alagoas, Maranhão, Ceará, Bahia e Pernambuco, esse número chega a quase 60%.

O “Cenário da Infância e Adolescência 2018 – Recomendações aos Estados e ao Distrito Federal” apresenta indicadores que revelam os maiores desafios aos candidatos aos governos estaduais, para a redução das desigualdades no Brasil diante dos compromissos assumidos com a ONU, pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A publicação reúne mais de 20 indicadores sociais relacionados às crianças e aos adolescentes, como mortalidade, nutrição, gravidez na adolescência, cobertura de creche, escolaridade, trabalho infantil, saneamento básico, entre outros.

Alguns números alarmantes divulgados no relatório: 90% das crianças do Amapá, Amazonas, Rondônia e Pará estão fora das creches. 1442 creches no Brasil não têm coleta de esgoto em seus estabelecimentos e 5323 não oferecem água filtrada. 22 estados brasileiros não oferecem serviço de esgoto a mais de 43% da população.

Desigualdade de renda

A desigualdade de renda é um dos principais desafios dos estados. O estudo revela que mais de 50% da população entre 0 e 14 anos vive com renda per capita de até meio salário mínimo, em 14 estados brasileiros.

Em Alagoas, Maranhão, Ceará, Bahia e Pernambuco, há mais de 60% da população de até 14 anos em situação de pobreza. As consequências dessa situação de vida são desastrosas, como reprodução do ciclo da pobreza e gravidez precoce.
Gravidez na adolescência

Em 2016, 17,5% dos bebês nascidos no Brasil foram de mães adolescentes. O Nordeste e Sudeste lideram os índices de gravidez antes de 19 anos de idade, com 167.573 e 161.156 partos, respectivamente. Em 18 estados, o percentual de mães adolescentes está acima da média nacional (17,5%).

Violência

Na adolescência, outra questão preocupante é a violência. No Brasil, 18,4% dos homicídios vitimaram pessoas com menos de 19 anos em 2016. 80,7% dos assassinatos ocorreram com armas de fogo. Onze estados brasileiros têm percentual de homicídios de crianças e adolescentes acima da média nacional.

Olhar na infância e juventude

O levantamento dos dados com recortes para os estados é uma ferramenta importante para entendermos a situação em cada região do país e também para que os futuros governadores tenham como base a realidade para agir nos próximos quatro anos.

A série “Cenário da Infância e Adolescência 2018 – Recomendações aos Estados e o Distrito Federal” pode ser encontrada neste link.