Crédito: Tiago Queiroz

Ao pensar no impacto das desigualdades nas infâncias das grandes cidades brasileiras, é impossível desassociar a discussão sobre os territórios e como as pessoas circulam por eles. Dependendo de onde moram e dos locais onde circulam, as crianças têm menos acesso ao lazer e ao brincar, essenciais para o desenvolvimento integral. São também mais expostas a situações de violência. É o que mostra uma pesquisa o Brincar nas Favelas Brasileiras, publicada em maio deste ano, em uma parceria do Unidos pelo Brincar, Instituto Locomotiva e Data Favela.

Foram entrevistadas 816 mães, moradoras de favelas em São Paulo, Recife e Porto Alegre. Para dois terços delas (66%), o cuidado com as crianças é a atividade que mais ocupa tempo. Além disso, 68% declararam ter pouco tempo para conciliar os cuidados com a casa e com as crianças e 63% enfrentaram dificuldade para ajudar as crianças nos estudos, devido à escassez de tempo; 62%, em conciliar o trabalho remunerado com os cuidados da casa e das crianças; e 50%, em encontrar tempo para brincar com elas.

O filme O Começo da Vida, disponível nas plataformas de streaming, revela também a importância do brincar e do cuidado para o desenvolvimento das crianças ainda na tenra infância, logo nos primeiros anos de vida. A obra revela que um dos maiores avanços da neurociência é ter descoberto que os bebês são muito mais do que uma carga genética. O desenvolvimento de todos os seres humanos encontra-se na combinação da genética com a qualidade das relações que desenvolvemos e do ambiente em que estamos inseridos.

Outra iniciativa bacana de se conhecer sobre a importância do brincar é o Territórios do Brincar, que também rendeu um filme. O programa é um trabalho de escuta, intercâmbio de saberes, registro e difusão da cultura infantil. Entre abril de 2012 e dezembro de 2013, os documentaristas Renata Meirelles e David Reeks, acompanhados de seus filhos, percorreram o Brasil. Eles visitaram comunidades rurais, indígenas, quilombolas, grandes metrópoles, sertão e litoral, revelando o país através dos olhos das crianças. Para saber mais, clique neste link.

Favelas do Brincar

Crédito: João Neto

Nesta quinta (16), Paraisópolis, uma das maiores comunidades de São Paulo, completa 100 anos e ganha um espaço ao ar livre dedicado às crianças, com jogos e brincadeiras concebidos especialmente para ajudar a desenvolver as habilidades emocionais, cognitivas, físicas, sociais e criativas. A ação é parte do Favelas do Brincar, uma série de intervenções lúdicas dedicadas ao desenvolvimento das crianças que serão implementadas em áreas públicas de favelas.

A iniciativa é do Movimento Unidos Pelo Brincar, também responsável pela pesquisa citada acima, e deve seguir para o Complexo do Alemão (RJ) e Heliópolis (SP) nos próximos meses.