O Dia Internacional das Meninas (11) e o Dia das Crianças (12) estão se aproximando. Para falar de infância e questões de gênero, preparei uma lista com cinco reflexões e números sobre os direitos das meninas, com apoio da Plan International Brasil.

Crédito: Bruna Ribeiro

Confira:

  • De acordo com a Plan International Brasil, meninas de 10 a 14 anos gastam 50% mais tempo se dedicando a trabalhos domésticos em comparação a meninos da mesma faixa etária. A organização explica que a maior responsabilidade pelas tarefas de casa pode roubar o tempo de brincar das meninas. “Já pesquisamos sobre o assunto, entrevistando 1771 meninas de 6 a 14 anos. Dessas, 31,7% afirmaram não ter tempo suficiente para brincar durante a semana. O fardo das tarefas domésticas recai mais sobre as meninas mesmo em famílias cujos pais têm maior nível educacional”, declara a Plan.

 

  • 15 milhões de meninas de 15 a 19 anos já foram estupradas ou violentadas sexualmente alguma vez na vida. As meninas estão mais vulneráveis à violência sexual do que os meninos. Enquanto isso, de acordo com a Plan, a taxa de homicídio entre meninos de 10 a 19 anos é quatro vezes mais alta do que a de meninas da mesma idade.

 

  • O Brasil é o quarto país com maior índice de casamento infantil no mundo. Segundo a Plan International, 36% das uniões são com meninas com menos de 18 anos. Em números absolutos, o Brasil fica atrás da Índia, Bangladesh e Nigéria. De acordo com a organização, uma pesquisa do Instituto Promundo de 2016 mostrou que 887 mil mulheres entre 20 e 24 anos afirmaram ter casado antes dos 18 anos. Outras 287 mil meninas se casaram com menos de 15 anos no país. “Em março deste ano, o país sancionou uma lei que proíbe o casamento de menores de 16 anos. O casamento precoce traz consequências como gravidez na adolescência, evasão escolar, falta de formação profissional e até violência doméstica”, diz.

 

  • Dois terços dos países já atingiram paridade de gênero quanto ao acesso à educação primária, de acordo com o Unicef. A Plan International Brasil publicou que o Brasil atingiu essa paridade nas matrículas para a educação básica, mas na prática os desafios ainda são grandes. Entre os jovens classificados como “nem-nem”, que não estudam nem trabalham, o número de mulheres é praticamente o dobro dos homens. “Os papéis tradicionais de gênero colocam as meninas para desempenhar com exclusividade os trabalhos domésticos, o que leva a uma frequência irregular ou à evasão escolar. Entre os ‘nem-nem’, temos uma porcentagem grande de mães adolescentes ou jovens casadas”, diz Viviana Santiago, gerente de gênero e incidência política da organização.

 

  • Segundo a Organização Mundial da Saúde, todo ano, 16 milhões de meninas de 15 a 19 anos dão à luz em regiões em desenvolvimento. Relacionada ao casamento infantil em 90% dos casos, a gravidez na adolescência traz sérios riscos à saúde das meninas, uma vez que complicações relacionadas à gestação e ao parto estão entre as principais causas de morte para meninas de 15 a 19 anos no mundo. De acordo com informações da Plan International, em 2015 foram mais 545 mil bebês que nasceram de meninas entre 10 e 19 anos de idade. Desse total, mais de 26 mil bebês nasceram de meninas entre 10 e 14 anos, segundo o Ministério da Saúde.