Escolha Ver: esse é o slogan da campanha da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), em parceria com a Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência, Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (CMESCA) e a Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil.

O recado é para engajar a sociedade a enxergar as violações contra crianças e adolescentes que ocorrem durante o Carnaval. Nos blocos de rua da cidade, é comum ver meninos e meninas vendendo bebidas alcoólicas.

Mas se o trabalho infantil já é invisível para muita gente, a exploração sexual é ainda pior. Ainda há uma confusão muito grande entre a diferença entre abuso e exploração. Abuso é sofrido geralmente por pessoas da família ou conhecidas. Já a exploração sexual é o que muita gente chama de “prostituição infantil”.

O termo não é aceito, pois a criança e o adolescente que está naquela situação são, na verdade, vítimas. Geralmente em situação de vulnerabilidade social e econômica, já foram violados de muitas maneiras e até já foram vítimas do abuso sexual. Por isso, exploração sexual é considerada uma das piores formas de trabalho infantil e é um crime. Quem explora pode responder na justiça.

É importante desconstruirmos os mitos a respeito do assunto. Argumentos como “ela não era mais virgem”, “ela está ajudando a família” ou “ela gostou” não podem ser aceitos. Crianças e adolescentes são seres em desenvolvimento e é obrigação da família, do Estado e da sociedade protegê-los, com prioridade absoluta, como diz a Constituição.

Por ainda estarem se desenvolvendo, muitas vezes não conseguem medir o impacto dos atos no presente e no futuro. Além disso, é comum que não entendam que estão sofrendo uma violência, pois a violência já faz parte da vida de muitos. Se eu não sei o que é violência, como vou saber que a sofro?

Na quinta (28), a partir das 9h, crianças e adolescentes se reuniram no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade, no Grito de Carnaval, que lançou esta campanha. Eles são atendidos pelos Centros de Crianças e Adolescentes (CCAs) de todas as regiões. Desde o início do ano, educadores utilizaram recursos lúdicos para orientar e conscientizar.

No Grito, eram lindas as mensagens que a garotada exibia em cartazes, como “Depois do não, tudo é assédio” e “A graça é se vestir como quiser e respeitar quem vier”. Também houve apresentações culturais, com hip hop, capoeira, maracatu, street dance e bateria.

Durante os blocos, serão distribuídos leques de papel aos foliões com as mensagens da campanha. Escolha ver e diga não ao trabalho infantil e à exploração sexual!