Cena de Filme "Que Horas Ela Volta?"

Cena de Filme “Que Horas Ela Volta?”

Por que as babás precisam vestir branco nos clubes de São Paulo? Essa pergunta foi parar no Ministério Público no ano passado e agora ganha um novo episódio.

Na semana em que a Rede Globo exibiu o filme Que Horas Ela Volta?, o debate vem a calhar. Na película, Val criou o filho da patroa e é “praticamente da família”. Ela não usa branco, mas não pode entrar na piscina, sentar-se à mesa, tomar o sorvete mais caro… Por quê? Por que uma babá com roupa “comum” não pode entrar em um clube?

A resposta é triste e fala muito sobre uma cultura escravocrata brasileira. A discriminação e segregação social – quem tem mais dinheiro pode manter uma Val na senzala / “quartinho de empregada”, para tirar a mesa, pegar um copo de água… Colocá-las como diferentes é colocar “cada um no seu lugar”, é inferiorizar, é dizer que aquele espaço nunca será delas, embora sejam tratadas com certa simpatia. Não é uma relação profissional qualquer. É uma relação de submissão.

É a mesma cultura de quem torce o nariz quando vê pobre na universidade, daquele que se espanta quando entra no consultório de um médico negro…

Neste caso específico das babás de branco, quais seriam as justificativas dos clubes? Higiene, diria alguém. Melhor parar por aqui, porque só piora. Colocá-las nessa condição é perpetuar uma cultura extremamente discriminatória e dar o exemplo errado às crianças sobre sociedade e relações humanas. Precisamos educar diferente e educar pelo exemplo – está aí um clichê que faz sentido.

Entenda o caso

Para quem não se lembra do episódio, no ano passado, uma sócia do Esporte Clube Pinheiros acionou o Ministério Público após o estabelecimento dificultar a entrada da babá de suas filhas, sem uniforme branco. Na época, foi apurado se a prática desse e de outros clubes era discriminatória. Eles recorreram e a ação foi arquivada.

Agora, após acusação de conflito de interesses, o caso envolvendo a exigência de uso de uniformes brancos por babás em clubes da cidade pode ser reaberto, porque o promotor Álvaro Augusto Fonseca de Arruda, que votou no caso, faz parte da direção do Clube Atlético Paulistano, investigado na ação.