Crédito: Banco de imagens do ChildFund Brasil

De acordo com um estudo divulgado pela Plan International Brasil e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), pelo menos 70 meninas são vítimas de estupro por dia no Brasil. Isso significa que a cada 20 minutos, uma menina de até 18 anos sofre a violência.

Os dados são resultado de uma análise de informações cedidas pelas secretarias de segurança pública dos Estados, nos anos de 2017 e 2018. Durante o período, foram registrados 50.899 casos, representando 62,1% de todos os casos de estupro registrados nos 13 estados onde foi possível aferir gênero e idade das vítimas, segundo informações da Plan International.

Do número total, 53% dos casos são contra vítimas de até 13 anos, quando ainda são consideradas vulneráveis pela legislação. De acordo com a organização, o estudo foi realizado nos estados do Acre, Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo.

Para Viviana Santiago, gerente de gênero e incidência política da Plan International Brasil, a falta de dados específicos nas bases estaduais piora a compreensão das especificidades relacionadas aos casos. “Ter dados significa ter possibilidade de melhorar ações de prevenção, judicialização e de ter um melhor perfil de vítimas e agressores para desenvolver melhores planos de mitigação”, disse.

Ainda segundo o estudo, só foi possível saber a relação entre autor e vítima em 26,7% dos casos. Campos como escolaridade da vítima, tipo de local da ocorrência e relação entre autor e vítima tiveram menos de um quarto dos registros com dados preenchidos.

“O elevado número de campos sem informação aponta para a necessidade de aprimoramento dos registros de boletins de ocorrências de estupro e de estupro de vulnerável, de forma que seja possível traçar um perfil ainda mais detalhado das vítimas e da maneira como essa violência se dá. Nos casos em que a informação está disponível, 91,9% dos crimes de estupro contra meninas foram cometidos por um único autor do gênero masculino”, apontou o estudo.