Crédito: Tiago Queiroz / Criança Livre de Trabalho Infantil

De acordo com a Pesquisa Homicídios na Infância e Adolescência no Brasil (2009 a 2019), 76% das vítimas de homicídios de crianças e adolescentes são negras. O levantamento ainda demonstrou que as regiões Norte e Nordeste concentram os estados e municípios mais violentos para jovens viverem.

A pesquisa foi realizada pela ONG Visão Mundial, por meio de adolescentes e jovens que integram o Movimento Jovem de Políticas Públicas (MJPOP), em parceria com o Comitê Cearense Pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, Movimento Independente Mães de Maio e o Movimento Mães da Periferia de Vítima Por Violência Policial do Estado do Ceará.

Com o intuito de compreender a dinâmica dos homicídios, definir suas principais vítimas e em quais locais no país essas mortes são mais recorrentes, a análise de dados se deu em cima de dados de homicídios de adolescentes e jovens, com idade entre 10 a 19 anos, realizando recortes de raça, gênero e localização geográfica. Os dados foram extraídos do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde e dados de projeção da população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a ONG, os homicídios de crianças e adolescentes vinham crescendo no Brasil desde 2009, ano em que se registrou 11.804 mortes. O pico de mortes de crianças e adolescentes acompanhou o recorde de homicídios na população geral, quando o país registrou, em 2017, 65.602 homicídios. A partir de 2018 houve quedas acentuadas nesses números, e em 2019 foram registradas 6.930 mortes, uma redução de 41,3% em relação a 2017. Segundo o levantamento, entre os anos de 2009 e 2019, foram assassinadas no Brasil 107.670 crianças e adolescentes, delas, 76% eram negras, contabilizando 81.512 vítimas, e 93% eram meninos.

Segundo Reginaldo Silva, especialista em gestão de Políticas Públicas e coordenador de Advocacy da Visão Mundial, o número de jovens negros mortos vem crescendo conforme o tempo, já que em 2009 era 71% e em 2019 esse número aumentou para 81%. Consequentemente, o número de jovens brancos mortos vem diminuindo, sendo antes 23% em 2009 e se tornando 17% em 2019.

“Os números mostram que não podemos abordar a prevenção da violência sem realizarmos um recorte, trazendo o racismo como um componente importante da estrutura social brasileira. Nós acreditamos que um dos caminhos para o enfrentamento do racismo é através da educação, e além disso também é necessário assegurar uma formação de qualidade para os profissionais da segurança pública, para que a abordagem respeite os direitos humanos, sem discriminação por razões de raça, cor ou classe social”, diz o especialista.