Crédito: Tiago Queiroz / Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil

De acordo com o Cenário da Infância e Adolescência no Brasil, divulgado pela Fundação Abrinq, 31,7 mil escolas da educação básica não tinham um computador em 2020, no Brasil. O estudo ainda mostra 36,5 mil escolas que não possuíam acesso à rede de internet, mesmo que tivessem um computador.

O levantamento reuniu diversos diversos indicadores sociais, como educação, mortalidade, matrículas em creche e violência. Segundo a Fundação Abrinq, com os novos dados, obtidos de fontes públicas, é possível analisar os reflexos e impactos da pandemia de COVID-19 no país.

“Priorizamos analisar e consolidar as informações socioeconômicas da dimensão da Educação. O impacto se deu especialmente por conta da educação à distância em escolas públicas, onde os alunos normalmente não possuem os mesmos recursos dos estudantes do ensino privado”, comenta a organização.

Além do acesso à tecnologia, o estudo mostra que a exposição das condições da infraestrutura física escolar brasileira permite que sejam dimensionadas as privações que enfrentam crianças e adolescentes. Em 2020, quase 9 mil escolas (8,6 mil) informaram não ter qualquer forma de acesso à coleta de esgoto; 3,46 mil não tinham acesso a qualquer forma de distribuição de água.

Exclusão escolar

O agravamento da exclusão escolar foi uma das consequências da pandemia do coronavírus e do aumento da vulnerabilidade social. O fechamento das escolas e a dificuldade de acesso à tecnologia lavaram muitas crianças e adolescentes a abandonarem a escola e a outros tipos de violações, como o trabalho infantil.

Divulgado em abril de 2021 pelo UNICEF em parceria com o Cenpec Educação, o estudo Cenário da Exclusão Escolar no Brasil – um alerta sobre os impactos da pandemia da Covid-19 na Educação mostra que mais de 5 milhões de brasileiros de 6 a 17 anos não tinham acesso à educação no Brasil em novembro de 2020, número semelhante ao que o país apresentava no início dos anos 2000. Em 2019, havia quase 1,1 milhão de crianças e adolescentes em idade escolar obrigatória fora da escola no Brasil.

Ou seja, o aumento da exclusão escolar foi bastante relevante. Ainda segundo o documento, a exclusão escolar afetava principalmente quem já vivia em situação mais vulnerável. A maioria fora da escola era composta por pessoas pretas, pardas e indígenas, somando mais de 70% do total.