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Na onda retrô decoração e do design, a geladeira da vovó virou peça descolada e moderna. Depois de receber uma nova pintura – a tendência é amarelo, laranja, verde e vermelho – , ela pode virar um armário para livros e até mesmo numa sapateira. Há modelos que ganham adesivos. Outras passam também por reformas mecânicas, e continuam na cozinha, preservando a comida fresca.
Há dois anos, o publicitário Tiago de Carli, de 26 anos, ganhou um refrigerador da General Electric Company, mais conhecida como GE, da década de 1950. “Eu sempre gostei de modelos antigos. Meus pais acharam uma dessas numa loja de usados, e resolveram me presentear”, conta Carli, que mesmo sem conhecimento de mecânica, começou a reformá-la.

Quando acabou a obra, orgulhoso do resultado, postou a foto da geladeira no blog. “Foi um sucesso. Muitos amigos e internautas começaram a pedir para que eu fizesse o mesmo com a geladeira deles.”
Como aumento da demanda, ele resolveu abrir uma empresa artesanal de réplicas de modelo antigos, a Adélia Works. “Fiz isso porque nem todo mundo fica satisfeito com a reforma. Algumas peças do interior do modelo original não dá para ser recuperada. E tem gente que não entende.”
A Brastemp tem uma linha retrô. As geladeiras levam acabamentos arredondados e acessórios cromados. Mas tem todos os recursos de funcionamento dos modelos atuais como a tecnologia frost free. “Já a Adélia Works faz geladeira nos moldes antigos. Ela tem até congelador”, conta Carli.
Da família. Tem consumidor que sai à procura de objetos velhos para restaurar. Mas em algumas casas, a geladeira conta uma história: foi deixada de herança por um ente querido, por exemplo. “Tive uma cliente que me ligava todos os dias para saber da geladeira que estava aqui, que ela chamava de meu ‘bebê’”, diz Carlos de Lima, de 46 anos, proprietário da Pintura de Geladeiras, especializada em reformas, na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo. “A geladeira nem era tão velha. Tinha 15 anos. Mas era um presente da mãe dela.”
Lima que aprendeu o ofício com seu pai, ex-funcionário da Frigidaire em 19, dá dicas. “A tinta usada na reforma tem de ser automotiva. E ela deve ser feita numa cabine livre de pó e depois secar numa estufa à 36°.” O custo do trabalho: R$ 1.400.
Para quem procura modelo antigos já recuperados acesse o site Geladeira & Retrô. Com sede no Rio, a empresa tem em estoque 68 modelos, e entrega em todo o Brasil. Há muitos achados, como uma refrigerador da década de 1930, que parece um cofre.