Parte da produção do pintor, fotógrafo e designer paulista Geraldo de Barros (1923-1998) integra a exposição Modulação de Mundos, aberta hoje no Sesc Pinheiros, em São Paulo. O Autorretrato ao lado, de 1949, enfatiza o olhar do autor, também presente, por extensão, nos cerca de 50 trabalhos exibidos. Não se trata de retrospectiva. “É uma leitura feita a partir da modulação”, explica o curador João Bandeira.
Segundo ele, se tal conceito norteou a atuação do designer nas indústrias Unilabor, nos anos 50 e 60, e Hobjeto, nos 70, também pode ser encontrado tanto nas obras quanto nas fotos em P&B, de diferentes fases. Constam da exposição desde as Fotoformas, do final da década de 40, até a série Sobras, produzida nos últimos dez anos de vida de Geraldo. Em 1951, Pietro Maria Bardi já desvendava um “dever da composição” em suas fotografias. “Ele organiza [a composição] escolhendo no milhão de segmentos lineares que percebe, sobrepondo negativo sobre negativo, modulando os tons de suas únicas cores, que são o branco e preto”, escreveu o crítico. Parece ser mais fácil sentir do que explicar.
Ideário socialista
Do ponto de vista do desenvolvimento do móvel moderno no Brasil, é interessante observar como se deu a transição do artesanal para o industrial na Unilabor, que, ao evocar o ideário socialista, funcionava como uma espécie de cooperativa. “Não havia patrões nem empregados”, lembra a filha de Geraldo, Fabiana de Barros. O mentor da fábrica foi o padre-operário João Batista Pereira dos Santos, que convidou o designer para a empreitada. Na produção dos móveis usava-se um sistema de componentes de encaixe e conjuntos intercambiáveis para facilitar diferentes configurações. Sem contar a associação de materiais como metal e palha trançada, incomum até então. Um dos ícones desse período, cuja estrutura foi fotografada pelo profissional, à direita, é a cadeira Unilabor (1954-56), de ferro esmaltado e estofado revestido de plástico.
Depois de se desligar da empresa, em 1964, Geraldo de Barros fundou a Hobjeto. Nela, conforme o curador escreve no catálogo da exposição, chegou a produzir cerca de 500 variantes de mobília baseado em 100 peças modulares.
Mas como era, afinal, a personalidade dele? Para a filha, o homem que viveu da reciprocidade entre arte e design e atuou no movimento concretista brasileiro era humilde, gentil e humano, porém um tanto autoritário. “Seu legado foi o pensamento de socializar a arte e o design”, considera Fabiana, curadora adjunta da exposição que se estende até 28 de junho, com entrada gratuita. O endereço do Sesc Pinheiros é Rua Paes Leme, 195, tel. (11) 3095-9400.

À esquerda, Fotoforma (fotografia, São Paulo, 1949). Abaixo, Sem título (laminado sobre madeira, São Paulo, 1980). De Geraldo de Barros

VÍDEO CLUBE
Acompanhe, a seguir, o vídeo com alguns móveis, obras e fotografias presentes na exposição Geraldo de Barros – Modulação de Mundos.
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