Exterior do Atelier da Ladeira, na Rua Girassol, Vila Madalena

Exterior do Atelier da Ladeira, na Rua Girassol, Vila Madalena

 

Amanhã é sábado e, no domingo, Dia das Mães — quando o almoço fica disputadíssimo até no boteco da esquina. Por isso, uma ideia é pegar a velha tomorrow mesmo e dar um girinho pela Vila Madalena. Isso, caso você não more no bairro, claro, e a tiver por perto. Leve-a, enfim, para passear!  

É possível acordar lá pelas 10, tomar um banhão e, depois de um cafezinho da manhã rápido em casa ou na padoca da esquina, catar a mamma e simplesmente ir. Há tanta coisa bacana para ver na Vila Madaloca… Até por isso, é bom fazer um recorte.

Se você não é dado a surpresinhas, pode sugerir a ela mesma escolher o inevitável presente lá no Atelier da Ladeira, nome perfeito para a loja que fica numa pirambeira da Rua Girassol, no número 993. É um lugar singelo, com jeito de casa. Ao atravessar o portão, logo de cara se vê um pequeno jardim com uma espécie ornamental em que surgem, penduradas, flores de pano. Ao fundo está a construção de duas águas, coisa interiorana ou quiçá nordestina.

Os dois cômodos do lugar estão repletos de produtos legais: de mesinhas com estrutura de ferro e Budas de porcelana decalcada criados pela proprietária, Lica Isak, até almofadas e toalhas de mesa bem-feitas por Bete Assis, que trabalha lá. Uma ou outra costumam atender de maneira atenciosa, a mostrar ainda bijuterias, roupas ou badulaques trazidos pela dona (olha o cacófato!) de viagens ao México, por exemplo.

A casinha fica num terreno imenso, que em breve terá outra novidade. “Vou fazer, no fundo, um barracão para produzir meus objetos”, conta Lica, uma publicitária que durante duas décadas e meia trabalhou com cenografia, figurino, direção de arte e elenco. Há 1,5 ano, três filhos nas costas, mandou a vida atribulada às favas e resolveu se dedicar ao novo negócio.

Bem. Escolheu? Gostou mesmo? Paguei? A essa altura, há duas opções: rodar mais pelo bairro ou ir almoçar. Caso a fome ganhe a parada, uma opção para quem gosta de comida libanesa e restô de visual despojado fica na própria Girassol, no 523, uns 350 metros depois do tal Atelier.

Chama-se Saj o restaurante dos jovens Ricardo Castanho Pinho e Paulo Abbud Filho, filho de Paulo Abbud, dono do Farabbud (adivinhe qual a especialidade da casa), em Moema. Não estranhe se vir o corpanzil de Ricardo encostado junto à porta da cozinha, a comandar o vaivém dos pratos. Nesse caso, é provável que tenha faltado algum funcionário. A conversa tem de ser rápida. “Eu mesmo fiz a decoração”, conta ele, atarefado, que vem de uma família com tradição em padarias.

Além de típicas peças árabes, o que fica na memória é o balcão do bar, onde também são servidos pratos, composto de cadeiras revestidas de tecidos com diferentes padronagens. Mas há mais o que observar. Pode-se arriscar que o cestinho de pães especiais vai agradar a todos. 

A ida casual tanto ao Atelier da Ladeira quanto ao Saj com dois amigos do peito — um quase irmão, outro para além de – resultou neste pequeno roteiro, que pode ser de serventia ou não.

Porque, se você é dado a grandes surpresas, provavelmente terá já comprado um mimo para sua mãe. E ela, quem sabe, com certa preguiça da velhice a ser respeitada, não quererá sair de casa. Nem no domingo, nem no sabadão. Pode ser que faça mesmo questão de preparar um nhoque com aquela carne assada recheada que só alguém sabe fazer. Então, o que resta da família ficará apertadinho à mesa, saboreando os quitutes, que nem precisam ser tão bons.

 Importante mesmo, nesta vida de meus deuses, é estar junto.

 
Vista interna do Atelier da Ladeira, de Lica Isak

Vista interna do Atelier da Ladeira, de Lica Isak

 

Descontração marca o ambiente do restaurante Saj

Descontração marca o ambiente do restaurante Saj

 

Detalhe do pendente de pegada oriental do Saj

Detalhe do pendente de pegada oriental do Saj