Há uma palavra simpática para definir aqueles pequenos rabiscos que a gente costuma fazer de vez em quando, sobretudo quando fala ao telefone: garatuja. Garatujas, há várias. Círculos e flores costumam refletir uma busca de contato com o self junguiano. Esse, a grosso modo, é o que há de mais essencial no ser. Já espirais poderiam indicar a experiência de um mesmo momento vivido anteriormente – até porque mesmas circunstâncias costumam aparecer em diferentes pontos do existir. “Sejam quais forem, são uma tentativa de o inconsciente se organizar”, explica a psicóloga Maria Regina Nanô. Mas e as setas? Parece óbvio relacioná-las com direções ou extravios. E é mesmo. “A questão está em para onde elas se dirigem”, comenta a profissional.

Obra da série Arrows, do americano Matta-Clark

Obra da série Arrows, do americano Matta-Clark

Ao observar uma das obras da série Arrows, de Gordon Matta-Clark (1943-1978), exibida aqui, fica quase inevitável pensar sobre que quereria expressar o artista americano quando a produziu. Ele ficou mais conhecido por suas intervenções, nos anos 1970, em prédios e galpões abandonados, nos quais, literalmente, recortava os pisos, paredes e tetos.

Cabideiro Arrow, do designer Gustav Hallén, à venda na Benedixt

Cabideiro Arrow, do designer Gustav Hallén, à venda na Benedixt

Aquele elemento gráfico faz parte ainda do imaginário do design. Apenas para tomar um exemplo, veja, acima, o cabideiro Arrow (16 cm de alt.), que recebeu o Red Dot Award, no ano passado, um dos mais importantes prêmios do segmento no mundo. De alumínio e com três ganchos, pendura bem, por exemplo, de uma camisa recém-passada a um par de calças. Bacana é que, quando não está em uso, integra-se à casa.

A novidade da Benedixt custa R$ 575 e está disponível em vermelho. “Só há dois à venda”, informa, na tarde de hoje, Carlos Eduardo Ramos, gerente da loja localizada no número 1584 da Rua Haddock Lobo. Mas, convenhamos, o autor do produto, Gustav Hallén, designer baseado em Estocolmo, parece ter privilegiado a funcionalidade em detrimento da simbologia.

Se você quiser saber mais sobre o que setas significam, pode consultar o Dicionário de Símbolos (José Olympio Editora, 996 págs, R$ 94 na Livraria Cultura), de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant. O verbete “seta” não consta, mas, sim, o sinônimo “flecha”. Em quase duas páginas, pode-se verificar, por exemplo, que é uma analogia com o intercâmbio entre o céu e a terra. No sentido descendente, estaria relacionada a “um atributo do poder divino, tal como o raio punitivo, o raio de luz ou a chuva fertilizante”; no ascendente, à “verticalidade”.

Móbile com setas pinçado do site Apartment Therapy

Móbile com setas pinçado do site Apartment Therapy

Para além de garatujas e dicionários, uma forma de lidar em casa com as setas surge no site Apartment Therapy. Pode ser gostoso se entregar, enquanto pensa na vida, a recortá-las em cartolina. Dá para fazer um móbile bacanudo e enfeitar seu canto, ainda que por uns dias.

Horas de redirecionamento em qualquer setor, ainda que na decoração de casa, pedem uma dica: além de contar com o divino, uma possibilidade é resgatar o bom humor do lúdico primordial. Pense, para relaxar, no que faria em determinada situação, por exemplo, o velho e cor-de-rosa Leão da Montanha, cartoon impagável do estúdio Hanna-Barbera. Provavelmente, diria seu bordão: “Saída pela esquerda!” Ou pela direita, ou por cima, ou por baixo, dependendo da circunstância. Seja o que for, não vale se preocupar muito.