O arquiteto Paulo Mendes da Rocha

O arquiteto Paulo Mendes da Rocha

 

Paulo Mendes da Rocha criou a chaise longue PMR em 1985, meio por acaso. Naquela época, a designer Adriana Adam, em sua efervescente Nucleon 8, resgatava desenhos importantes da história do móvel moderno no Brasil. Entre eles estava a cadeira Paulistano, da década de 50, de autoria do arquiteto que em 2006 ganharia o prêmio Pritzker, espécie de Nobel da sua área de atuação.

Ao visitar a fábrica quer iria produzir a cadeira, ele viu umas bobinas de lâmina de aço de 25 cm de largura.  “Logo me ocorreu associar duas lâminas paralelas e, entre elas, uma fresta de 5 centímetros, para fazer uma chaise longue toda flexível, como uma folha de papel”, lembra o capixaba de 81 anos.

O móvel de elegância delgada volta a ser produzido, agora pela francesa Objekto, que também lançou nova versão da Paulistano, com capa de malha de aço. Sempre gentil, Mendes da Rocha respondeu às questões a seguir, ontem, por telefone, durante o lançamento na loja Futon Company.  

 

Plural – O que tem projetado de mais novo?
Paulo Mendes da Rocha – Estamos estudando coisas interessantes para a Universidade de Vigo, na Galícia. Além disso, estou assistindo, muito entusiasmado, o começo de obra do Museu dos Coches, em Lisboa, na frente do Tejo, que é uma obra muito interessante contratada pelo governo de Portugal. E continuo fazendo minhas peças de… utilidades domésticas, como se diz. Agora estamos lançando uma chaise longue com lâmina de aço flexível, muito interessante, além da [nova versão da] cadeira Paulistano, que é de 1957.
 
O design de mobiliário ainda lhe interessa ou acha que sua contribuição nesse campo já se deu?
Ah, não! Para mim nada se deu em campo nenhum, pode vir tudo outra vez. O problema é que eu não tenho propriamente uma dedicação. A arquitetura, no final das contas, só pensa na casa do homem. Lá na indústria eu vi as bobinas, enormes, pesadíssimas, e imediatamente ocorreu essa chaise longue, que é um tema. Os temas são eternos, porque a vida doméstica não muda muito: é mesa, cadeira, estante etc.

A distinção do Pritzker trouxe que mudanças em sua vida?
Bem, para falar a verdade, você não pode fazer charme, dizendo que um prêmio etc. etc.. É sempre muito bom. Há um aspecto um pouco prosaico, aparentemente, mas que é verdadeiro: prestigia nós todos, a escola, a cidade, o País; e para você, evidentemente, abre horizontes mais amplos ainda. Por outro lado, não há dúvida de que um pouco de contratempo aparece. Como excesso de abordagem, coisas assim.
 
Como avalia hoje, do ponto de vista urbanístico, a cidade de São Paulo?
Do ponto de vista nosso, sempre tudo pode melhorar. Inclusive o que já é bom. Você pega uma coisa qualquer, como o Teatro Municipal; sempre o corpo de baile, a orquestra, pode cada vez mais se aprimorar, não é verdade? Portanto, para nós, homens em geral, não estou falando de arquiteto, nada está ótimo definitivamente. A graça é que a vida anda. São Paulo possui alguns erros que são escandalosos. A esperança é que a coisa mude. Alguns erros são institucionais e fundamentais, como o espaço da cidade ser mercadoria simplesmente, coisas assim. Não dá muito certo. Para mexer nisso, vai demorar muito. Vamos esperar. Mas a expectativa é de que mudem as coisas.

O que ainda não projetou e gostaria de projetar?
Bem, eu espero que os outros inventem no horizonte do desejo para que eu possa fazer. Eu mesmo não saberia dizer.

A chaise PMR, que tem base tubular, vale R$ 7.461 na Futon Company

A chaise PMR, que tem base tubular, vale R$ 7.461 na Futon Company

Com capa de malha de aço, a Paulistano custa R$ 6.468 na Futon Company

Com capa de malha de aço, a Paulistano custa R$ 6.468 na Futon Company

 

Fotos: divulgação (produtos) e Cosac Naify (arquiteto)