Eu não sei se as coisas chegam a mim ou se eu chego a elas.
Isso também pouco importa.

O importante é o que fazemos com o que cruza nosso caminho certo?

Outro dia, abrindo um livro num sebo me dei de cara com essa planta.
A principio não haveria motivo para compra-la.

O Projeto não apresentava a firma de um arquiteto reconhecido, o nome da empresa incorporadora não me disse muita coisa também, mas claro, minha curiosidade falou mais alto e levei para casa.

Verdade seja dita, não consegui obter muitas informações nem sobre a ORBIL nem sobre a construtora São Roberto. (Quem tiver manda pra mim no matteo@refugiosurbanos.com.br)

Por outro lado descobri que o Edifício Cotia fica em Pinheiros, tem lojas no térreo, uma sobreloja comercial e mais 6 andares a cima com aptos de 1 e 2 dormitórios.

A Planta que achei é exatamente desses últimos. Com dois dormitórios.

O que me surpreende sempre são as mudanças dos hábitos das famílias em poucas décadas.

Provável que esse projeto seja dos anos 1970.

E olha quanta coisa mudou!

Pra começar os espaços no geral. Hoje em 65/70 metros, como é o caso dessa planta, tenta-se realizar 3 dormitórios. Sendo ao menos 1 suíte para o casal.
O mercado pede itens e mais itens. Vende-se quantidade e não qualidade. Então Três é melhor que Dois, comercialmente falando, mesmo que isso sacrifique um bom projeto.
Vale também ressaltar por outro lado que, no geral, filhos não ocupam mais o mesmo quarto. Cada um “precisa” ter o seu.

Seguindo com a analise do projeto notamos que a circulação em todos os cômodos é generosa, com corredores quase inexistentes e espaços muito bem aproveitados.
Para ter prova disso basta observar que em ambos os dormitórios temos escrivaninhas e no quarto do casal ha espaço também para um ambiente de leitura/relax com duas poltronas.
Tudo isso sem sacrificar os armários. (Cada um com ao menos 2.5 metros)

A sala è ampla e contempla dois ambientes, com sofá em “L” e mesa para cinco.

A cozinha-corredor fechada è um clássico daqueles anos, muitas serão abertas para a sala, seguindo a tendência da famosa cozinha americana, com balcão e banquetas antes e uma abertura/integração total no estilo dos “lofts” Novaiorquinos depois.

Que mais podemos notar?
Ah sim! Um banheiro só! Horror!
Hoje comercialmente inviáveis, apartamentos com um único, espaçoso, banheiro para a família, eram a regra.
(A se notar a presença do Ilustre BIDET! Hoje substituído pela ducha sanitária por questão de espaço)

Destaca-se também a área de serviço, que resulta ser um ambiente importante do imóvel. Seu espaço não è nada pequeno, pelo contrario, é “Imenso” se considerarmos que hoje se projetaria apenas o espaço para colocar uma maquina de lavar e um varal de teto.  Aqui temos um verdadeiro cômodo, com bastante espaço para materiais e janelões de parede a parede, que garantem a iluminação da cozinha e uma boa ventilação.

Por fim o “quarto de empregada”, sem janela. Uma tristeza.

E ai, o que vocês acharam desse projeto?

Deixem suas considerações nos comentarios!