Sempre quis ser mãe. Filha de pais separados e mais velha de quatro irmãos, fui apresentada ao instinto materno muito cedo. Mesmo criança, tentava fazer com que todos ao meu redor ficassem bem e muitas vezes invertia os papéis, agindo como mãe dos meus avós, dos meus pais e dos meus irmãos.

E continuo a inverter – pouco antes de sentar para escrever este texto, mandei mensagens para o WhatsApp de cada um deles. Até hoje não durmo sem antes saber se estão todos em casa e bem, enviando incessantes (e, admito, muitas vezes irritantes) mensagens.

Mas não faz muito tempo questionei pela primeira vez essa minha tal afinidade com o instinto materno. Mais precisamente há 19 semanas e cinco dias – quando o teste de farmácia me mostrou aquelas duas listras que mudaram a minha vida para sempre. “Será que vou dar conta?”.

Essa foi apenas a primeira de um zilhão de perguntas que vieram a seguir: será que serei capaz de cuidar de um bebê? Será que vou conseguir entregar para ele (agora já sabemos que é ela) todo o amor que há nesta vida? Será que saberei dar broncas nos momentos certos? Será que vou educá-lo da melhor maneira possível? Conseguirei transmitir-lhe os valores que considero fundamentais? E mais: será que estou me alimentando de maneira correta durante a gravidez? Será que, depois de mais de dez anos, terei de voltar a comer carne? Será que minha barriga está pequena demais? Ou será que está grande demais? Será mesmo que nasci para ser mãe?

Não, não tenho resposta para nenhuma delas. Mas, na última consulta com o médico, depois eu perguntar se estava gorda demais e, menos de dez minutos depois, magra demais, ele me deu uma pista: “Thais, você já está com aquele típico sintoma de mãe: a culpa”.

Coincidência ou não, naquela semana havia viralizado na internet um vídeo produzido por uma igreja norte-americana com relatos de várias mães sobre como elas acreditam estar cuidando de seus filhos. Os depoimentos revelam mães culpadas com a forma como se relacionam com a educação e o dia a dia de suas crianças. Mas a igreja decide também ouvir os filhos e, ao assistirem seus pequenos falando como as veem, elas desabam. Para a surpresa de cada uma das mães, carinho e amor resumem o que eles sentem quando estão com elas.

uma nova perspectiva para as mães from potencialgestante on Vimeo.

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Há poucos dias, voltei a me perguntar: será que vou dar conta? A ideia deste blog acabava de surgir. Em meio às milhares de possibilidades, de histórias, dúvidas, inquietações, alegrias que eu poderia transformar em texto, minha cabeça não parava de insistir no looping do ‘será que vou dar conta?’. Consegui, enfim, fazer a mente relaxar – não muito – quando defini que minha principal intenção é a despretensão. Estou aqui como apenas uma grávida que tentará transformar em palavras as sensações de uma mãe de primeira viagem até a chegada da Valentina.

Meu twitter: @thaisarbex