Nem só mulheres, nem só homens. Também dispensava as tradicionais brincadeiras. Tudo que eu queria era reunir nossas famílias para celebrar a chegada da Valentina em um chá de boas vindas. Despretensioso e simples assim. Mas do desejo à realização, percorri um longo caminho. Morar em um apartamento pequeno foi o primeiro obstáculo. O salão de festas do prédio seria uma opção, mas o que servir? – levando em conta que não poderíamos gastar muito e não queríamos passar horas e horas na cozinha. Buffet de crepes e massas surgiu como possibilidade, mas, aí, o segundo obstáculo: o salão não tem mesas nem cadeiras. Alugá-las seria uma alternativa se – sempre o ‘se’ – não estourasse nosso orçamento.

E reunir todo mundo em um restaurante? Tentaria negociar um preço bacana, para que os convidados fossem apenas convidados. Pesquisei uns dez lugares pela cidade. Todos, sem exceção, queriam me cobrar preço de casamento: o aluguel do espaço (uns R$ 5 mil reais, em média) mais o preço por pessoa (de R$ 70 a R$ 150, dependendo do lugar). Mais uma opção riscada da lista.

Mergulhei, então, na busca de um lugar aconchegante e com o preço justo. Mesmo São Paulo sendo uma cidade com zilhões de possibilidades, foi uma tarefa árdua. Dezenas de telefonemas e e-mails depois, quando já estava quase desistindo, recebi a mensagem de uma amiga que acompanhava a peregrinação. O gerente de um hotel estava – justamente naquele momento – querendo inaugurar o serviço de chá de bebê. Daquelas coisas que não temos explicação, sabe?

Em menos de dez minutos, marquei uma conversa com ele para a semana seguinte – com menos expectativa, confesso. Logo no começo do bate-papo, o alívio: era o que eu queria. Quer dizer, desde que a brincadeira não seguisse os padrões paulistanos de até então. A proposta? Um chá da tarde – daqueles que lembram casa de vó -, com todo o espaço à disposição. O melhor: a um preço justo. No cardápio, bolos caseiros, pão de queijo, panquecas, geleias, bolinhos de chuva, cookies, chocolate quente. E, para deixar a festa um tantinho menos sóbria, espumante (que levamos à parte). Minha ideia era receber os convidados como se estivesse na minha casa. Acho que deu certo.

O toque especial veio da melhor amiga, que hoje tem uma empresa de decoração. Ela deu um ar ainda mais aconchegante para aquela tarde: com flores mosquitinho, rendas e objetos vintage e uma mesa de doces com um naked cake para servirmos depois do brinde à nova fase. E, no meio da tarde, ainda fomos supreendidos com uma serenata – presente da minha mãe e da minha irmã mais nova.

Ah, só para dizer que não me rendi às tradições do chá de bebê, criei uma lista de presentes para a Valentina e mandei fazer lembrancinhas.

*Para quem gostou da ideia:

O nosso chá de boasvindas foi no restaurante do Hotel Tryp Jesuíno – Rua Jesuíno Arruda, 806, Itaim Bibi.

A decoração foi da Rose Eventos; as lembrancinhas, da Sanm Atelier; o naked cake, da Doce Minuto; e a serenata da Serenata & Cia

E a Denise Andrade fez as fotos.