Mutirão do Boraplantar no Sítio Boa Nova, em Parelheiros. FOTO: ALESSANDRO SOS DANTAS

Mutirão do Boraplantar no Sítio Boa Nova, em Parelheiros. FOTO: ALESSANDRO SOS DANTAS

Todo mundo que um dia se aventurou a fazer um pomar ou plantar uma árvore deve ter ouvido a recomendação básica: faça isso no verão, na época das águas, quando chuva é o que não costuma faltar. Pois é agora, no auge da estação quente e úmida, que um grupo de voluntários paulistanos se mobiliza para reunir pás, enxadas, cavadeiras, sachos e carrinhos de mão para plantar árvores nativas em propriedades rurais da capital paulista – sim, o município de São Paulo tem área rural, oficialmente reconhecida no Plano Diretor, sancionado em 2014 pelo ex-prefeito Fernando Haddad.

A jornalista Carol Ramos, coordenadora da iniciativa, vem fazendo este trabalho também desde 2014, quando o Estado de São Paulo já passava por uma séria crise hídrica –  admitida pelo governo estadual apenas no início de 2015, após as eleições.

O projeto sempre foi executado nos bairros de Parelheiros e Marsilac, no extremo sul de São Paulo, onde estão as Áreas de Proteção Ambiental Bororé Colônia e Capivari Monos, respectivamente, além de abrigaram mananciais que abastecem a capital. No “Boraplantar” – nome dado ao mutirão -, Carol explica que os participantes precisam contribuir com pouco: com verba para rachar o transporte coletivo (ou ir com carro próprio e dar carona coletiva); almoço vegetariano; com a disposição em se enveredar por áreas rurais, cavar buracos e mexer com a terra e com ferramentas de plantio, se as tiver.

E as mudas de árvores? Bem, a iniciativa não seria possível se Carol não tivesse conseguido a doação de árvores nativas da Mata Atlântica pela Prefeitura de São Paulo, há dois anos. Até agora, a jornalista comenta cerca de 1.200 árvores já foram plantadas, em sete ações em sítios orgânicos e em uma aldeia guarani no entorno da capital. “Nós ajudamos os agricultores a recompor a mata ciliar, que é um serviço ambiental que eles têm que prestar por fazerem uso produtivo de áreas de preservação permanente e, em contrapartida, conseguimos mostrar uma perspectiva rural da cidade e despertar nas pessoas o ato de plantar e proteger os recursos naturais”, comenta ela, que busca patrocínio e parceiros para facilitar o transporte das mudas, o monitoramento posterior das árvores plantadas e a ampliação das ações em outras frentes, como criação de um viveiro e expedições para reconhecimento de espécies.

O próximo Boraplantar, divulgado em evento no Facebook e com mais de cem pessoas confirmadas – crianças são muito bem-vindas -, já tem data marcada: será neste domingo, dia 29, a partir das 9 horas da manhã, na Reserva Indígena Tekoa Itakupe, na zona noroeste de São Paulo. “Trata-se de uma das três aldeias localizadas no Parque Estadual do Jaraguá, um dos últimos remanescentes de mata atlântica de São Paulo e território de disputa e resistência guarani”, explica o texto do evento. Desta vez, Carol comenta que a ação será feita em parceria com o coletivo Existe Água em SP, que por meio do “caçador de nascentes” Adriano Sampaio recuperou as nascentes da aldeia e criou um lago com os índios guarani que moram lá.

“O plantio será num morro a caminho do lago, num descampado que futuramente terá sombra, frutas, mais insetos, umidade e cada vez mais água”, informa o Boraplantar. A ideia, neste dia, conta Carol, é plantar pelo menos 50 árvores de espécies como pinha, cabeludinha, pitomba, pitanga, castanha-do-maranhão, ibira-puitá, tamboril, peito-de-pombo, farinha-seca e coração-de-nego, mudas doadas pelo Viveiro do Sesc Interlagos. Chuva para ajudar as plantas a se desenvolverem e firmar as raízes não tem faltado!

O evento contará, além do plantio, com a fala do cacique local, seu Ari; com a apresentação dos projetos do Boraplantar e do Existe Água em SP e de um almoço colaborativo, que será composto por ingredientes tradicionais, como milho, batata-doce, mandioca, arroz, feijão, frutas e legumes.

E aí? Bora plantar?