O Armazém do Campo funciona na Al. Eduardo Prado, 499. FOTO: TÂNIA RABELLO

O Armazém do Campo vende produtos orgânicos e da reforma agrária. FOTO: TÂNIA RABELLO

Podemos começar falando de preços, que é um dos assuntos mais questionados quando se fala de alimentos orgânicos. Então, uma grata surpresa espera o consumidor na recentemente inaugurada loja Armazém do Campo, do Movimento dos Sem-Terra (MST). Produtos orgânicos, processados e certificados que normalmente só são encontrados em supermercados – e, de fato, bem caros – podem ser adquiridos na nova loja a valores bastante compensadores e, em alguns casos, até mais baratos do que os convencionais.

Um pacote de 1 kg de arroz orgânico, por exemplo, semana passada, quando o blog visitou a loja, no bairro de Santa Cecília (Alameda Eduardo Prado, 499), estava em promoção: por apenas R$ 3. Milho pipoca orgânico (e importante frisar: não transgênico) também saía por R$ 7 o pacote de 500 gramas, um valor palatável, quando nas grandes redes varejistas cobra-se geralmente o dobro – isso quando há o milho pipoca orgânico. Um precioso shoyu orgânico, que também tem por ali, custa R$ 22 o vidro de 500 ml. Pela dificuldade de encontrar este artigo, também é um preço, digamos “pagável” – lembrando, ainda, que o shoyu orgânico é feito basicamente de… soja. Sem aditivos químicos ou soja transgênica, como os produtos industriais (basta ver o rótulo de ambos os produtos para ver do que estamos falando).

Além disso, hortaliças, frutas e legumes e mais 400 itens estão ali, à disposição da clientela, diariamente e até aos sábados, em horário comercial.

Agora vamos falar da proposta do Armazém do Campo. A loja é abastecida principalmente com artigos produzidos nos assentamentos do MST em todo o País – incluindo alimentos orgânicos e não orgânicos, mas todos provenientes do modelo familiar de produção agrícola. Além disso, conforme explica o administrador e responsável pela loja, Rodrigo Teles, há artigos de parceiros, também orgânicos e certificados, como açúcar, geleias, vinhos, carnes (de frango e bovina), cachaças e cafés, entre outros. Além disso, um charmoso café orgânico, com quitutes e uma livraria – a maioria com livros com temática de cunho social – divide o mesmo espaço, tornando-o mais charmoso ainda.

Quanto aos preços, a ideia é justamente tornar os alimentos orgânicos e da agricultura familiar mais acessíveis à população, democratizando o acesso da população a uma nutrição mais saudável e também sinalizando para a possibilidade de inverter a ordem atual da agricultura industrial, predominantemente ligada à monocultura. “Negociamos, com os produtores-fornecedores, para que eles adotassem preços viáveis tanto para eles quanto para o consumidor”, comenta Teles.

A ideia de fazer a loja e transformá-la numa “vitrine” da produção agrícola  dos assentados do Movimento dos Sem-Terra surgiu a partir da 1ª Feira Nacional da Reforma Agrária, realizada no ano passado no Parque da Água Branca, na zona oeste da capital paulista. Conforme o MST, na época, mais de 200 toneladas de alimentos provenientes de assentamentos de todo o País foram comercializadas. “A procura pelos nossos produtos foi enorme; daí começamos a amadurecer a ideia desse canal de escoamento”, diz Teles. Ele comenta, ainda, que o objetivo a partir de agora – conforme se derem o desempenho e a receptividade do público consumidor em relação a este pioneiro Armazém do Campo – será abrir outras lojas do gênero em várias capitais do País, como uma importante forma de escoar e tornar mais conhecida, como uma vitrine, a produção dos assentamentos, geralmente bastante demonizados, quando se trata do MST. “Estamos, por enquanto, indo muito bem”, garante Teles.