Eles não querem mudar o mundo. Mas se conseguirem pelo menos modificar a forma de os 11 milhões de habitantes da capital paulista se alimentarem e se integrarem de uma nova maneira com os alimentos que consomem, mais saudável e consciente,  já terá sido um feito e tanto. As articulações desse grupo vêm ocorrendo há pelo menos dois meses, em uma efervescente troca de e-mails, reuniões, sugestões e, acima de tudo, muita vontade de transformar a cidade de São Paulo, tornando-a efetivamente saudável, segura, solidária e sustentável e resgatando, para isso, o convívio dos habitantes urbanos com a terra, seus alimentos e elementos vivos. Tudo por meio da agroecologia.

Para eles, agricultura e áreas urbanas não são conceitos excludentes. Ao contrário. Ambos podem se integrar e contribuir para reconectar os seres urbanos com o ato de produzir o próprio alimento ou, pelo menos, conhecer melhor sua origem e como foi produzido. Eles estimulam a horticultura urbana, o comércio justo, o não-consumismo, a educação ambiental, o convívio nos espaços urbanos, a gastronomia saudável, a segurança alimentar e a saúde pública. São os integrantes do recém-formado Movimento de Agroecologia de São Paulo, ou MUDA-SP,  que, contando também com o apoio da Prefeitura de São Paulo e do Legislativo municipal, reúne interessados em efetivar essa mudança real no dia a dia do paulistano. Um movimento, aliás, totalmente aberto a novas adesões.

O MUDA-SP será lançado em grande estilo no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1.000, próximo à estação Paraíso do metrô). Entre os dias 12 a 16 de outubro (tirando o dia 14 de outubro, segunda-feira), o movimento programou várias atividades – todas gratuitas e várias para crianças, lembrando que dia 12 de outubro é o dia das crianças -, como oficinas de culinária, de plantio de hortas urbanas, de compostagem doméstica, de cozinha colaborativa e até uma feira de troca de brinquedos usados.

Todas as atividades ocorrerão nas imediações da horta urbana, cultivada e cuidada pelo grupo Hortelões Urbanos – que já vem mudando a atmosfera da capital paulista, formando, voluntariamente, hortas orgânicas em espaços urbanos – no próprio Centro Cultural São Paulo. Haverá atividades também no jardim suspenso e nos demais pisos do CCSP.

A ideia, segundo os integrantes e apoiadores do MUDA-SP (Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de São Paulo; Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida; Supervisão Geral de Abastecimento da Prefeitura de São Paulo; Casa Jaya; AAO-Associação de Agricultura Orgânica; Revolução da Colher; Slow Food São Paulo; Hortelões Urbanos; Instituto Kairós e Instituto 5 Elementos), é promover uma nova maneira de relacionamento entre a cidade e o campo, onde o alimento promove a integração harmônica entre ambos.

“Tudo na natureza que nos nutre é tratado como algo pertencente ao ciclo da vida e não apenas como merca mercadoria”, defendem os organizadores. “Desse modo, o ato de alimentar-se inclui o envolvimento do ser humano com todas as fases que compõem a geração do alimento, desde a manutenção da boa fertilidade do solo até o consumo de receitas plenas de sabor, passando pelo cultivo em sintonia com o ambiente.”

Toda a programação dialoga com a X Bienal de Arquitetura de São Paulo – que começa dia 12 de outubro e terá, também no CCSP, um dos espaços expositivos –, inserindo a questão alimentar como um eixo básico da organização espacial e social da cidade. O MUDA-SP apoia também a Quinzena de Ação pela Liberdade das Sementes, proposta pela ativista indiana Vandana Shiva, a Prêmio Nobel Alternativo da Paz, reconhecida por sua luta pela preservação das sementes da agricultura, em contraposição a multinacionais do porte da Monsanto.

Embora gratuitas, as atividades requerem inscrições antecipadas, a pedido dos organizadores, no link https://docs.google.com/forms/d/1mxfV1zB8pAnMDVB4rXWQw2jADFh_x4sReP4OwO4sOtY/viewform

Além disso, os organizadores pedem aos participantes que puderem colaborar com o movimento que adquiram um kit MUDA-SP, que será vendido no evento e que inclui cartilhas, sementes e mudas orgânicas. No e-mail inscricao.mudasp@gmail.com podem ser obtidas mais informações.

Abaixo, a programação completa – INCLUSIVE COM VÁRIAS ATIVIDADES PARA CRIANÇAS.

Programação:

Dia 12/10 – Sábado – (Tragam as crianças)

Oficinas; performance; feira de trocas de brinquedos contra o consumismo infantil; premiação dos verdadeiros heróis da alimentação, os pequenos produtores; plantio e manejo na horta do Centro Cultural SP.

9h – Mutirão: plantio e manejo na horta orgânica do CCSP – local: Horta comunitária do Jardim Suspenso 23 de maio

10h30 – Passeio verde: reconhecendo as árvores da nossa cidade (Árvores Vivas) – local de saída: Horta comunitária do Jardim Suspenso 23 de maio

13h – Piquenique de trocas de sementes e mudas – local: Horta comunitária do Jardim Suspenso 23 de maio

14h – Oficinas para as crianças: mandalas de sementes + Fashion Roots: criando adereços com a diversidade da natureza (Árvores Vivas) – local: área de convivência/ entrada piso Flávio de Carvalho

14h30 – Contação de estórias para crianças – local: Horta comunitária do Jardim Suspenso 23 de maio

15h – Feira de troca de brinquedos – local: área de convivência/ entrada piso Flávio de Carvalho

16h – Show Dupla Caipira de Reggae – local: área de convivência/ entrada piso Flávio de Carvalho

17h – Premiação dos agricultores – Pacto Mundial Consciente Brasil – local: área de convivência/ entrada piso Flávio de Carvalho

18h – “Design your free local menu” – cozinha experimental colaborativa grupo “Fruitmap” (Áustria) em parceria com Hortelões Urbanos, Come-se e Árvores Vivas – local: Jardim Suspenso

Dia 13/10 – Domingo

local: Horta comunitária do Jardim Suspenso 23 de maio

Oficinas do Ciclo Completo da Alimentação: do trato do solo ao cultivo, da colheita ao preparo de alimentos saudáveis e o re-uso dos resíduos orgânicos para o enriquecimento o solo.

10h – Re-conhecendo o que nos nutre – Oficina: Pesto de Capuchinha e Suco verde

10h45 – Nutrindo a si e ao planeta – Oficina: Culinária viva com Revolução da Colher

11h30 – Alimentação saudável e saborosa – Oficina: Culinária e Saúde, Ana Tomazoni do Slowfood

12h30 – Degustação – Lanche coletivo na horta do Ciclista (canteiro central da av. paulista próximo à Rua da Consolação)

15h – Cultivando alimentos e plantas medicinais: Oficina de plantio caseiro, sem veneno e com arte

16h30 – Nutrindo o solo para que nos dê bons frutos: Oficina de compostagem doméstica

18h – Bate-papo: Grupos de Consumo com ComerAtivaMente

Dia 15/10 – Terça-feira 

Local: sala de debates

13h30 – O solo (palestras de 20 minutos)

– Secretaria de Serviços da prefeitura com projeto Ciclo Vida
– Morada da Floresta com projeto das composteiras domésticas
– Resíduos Sólidos Orgânicos, seus impactos ambientais e possíveis soluções– Samuel do Instituto Vitae Civilis
– O solo Biodinâmico com Joyce do IBD
– Experiência de compostagem e cultivo no shopping Eldorado

15h10 – Debate

16h – Intervalo

16h30 – O cultivo (palestras de 20 minutos)

– Coperapas e o plantio nas áreas de preservação do município com Geraldino ( presidente )
– Plantando e gerando renda na zona leste – Seu Genival do projeto Cidade sem Fome
– Mokiti Okada e seu sistema de cultivo
– MST e assentamentos agroecológicos
– Hortelões Urbanos, escolas estufa e hortas na praças com Claudia Visoni

18h10 – Debate

19h – Cinema: Exibição do documentário Ciclovida: Lifecycle

Dia 16/10 – Quarta-feira – Dia Mundial da Alimentação e Segurança Alimentar

Local: sala de debates

9h – Ato na Câmara Municipal pela Segurança Alimentar

13h30 – O Alimento (palestras 20 minutos)

– Comusan – Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional
– Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
– Revolução da Colher – Ativismo pela paz no prato
– Slowfood – Saberes e sabores de nossa cultura
– HSI – Criação de Animais e Ética
– Novo guia alimentar
– FSP-USP – Agroecologia e promoção da saúde
– Dr Alberto Gonzales, o Ciclobiogênico e a saúde alimentar e planetária

16h30 – Roda de conversa

17h30 – Debate e carta final do encontro

19h – Coquetel de encerramento