Estande da Organics Brasil na Apas 2015 reúne 17 empresas produtoras de alimentos orgânicos. FOTO: DIVULGAÇÃO

Estande da Organics Brasil na Apas 2015 reúne 17 empresas produtoras de alimentos orgânicos. FOTO: DIVULGAÇÃO

 

Utilizar a mesma linguagem do supermercadista foi a estratégia que 17 marcas de produtos orgânicos utilizaram para atrair a atenção da rede varejista nacional e internacional durante a feira da Apas 2015, que prossegue até o dia 7 de maio, quinta-feira, no Expo Center Norte, na capital paulista. Abrigados dentro do projeto Organics Brasil – que, em parceria com a Apex, pretende estimular a exportação de produtos orgânicos certificados, além da expansão do mercado interno –, as empresas simularam, no estande, um cenário de supermercado. “Acreditamos que esta estratégia surte muito mais efeito do que se cada uma das empresas levasse apenas amostras de seus produtos”, comenta o coordenador executivo do Projeto Organics Brasil, Ming Liu. “É uma diferença essencial”, ressalta.

Além de o supermercadista conseguir visualizar como ficaria uma gôndola exclusiva para produtos orgânicos em suas lojas, Ming Liu explica que também o produtor orgânico passa a entender melhor como funciona o setor varejista. “Ele começa a perceber que o tomate orgânico se valoriza mais ainda se for exibido, nas lojas, ao lado de vários outros produtos agroecológicos”, explica o executivo. Na outra ponta, o varejista, que tem o hábito de comprar grandes volumes, começa a perceber que, no caso de orgânicos, um nicho de mercado, é possível ele comprar em grupo e montar uma gôndola exclusiva.

As empresas produtoras de orgânicos que participam da feira da Apas este ano são MN Própolis (mel e própolis), Fazenda da Toca (FLV), Miolo Real (palmito), Fazenda Rio Bonito (tomate) , Renks – Bio2 (barrinha de cereal), BrasilBev Organique (bebida energética), Cacaufit (creme de chocolate de biomassa de banana), Jalles Machado (açúcar), Jasmine (cereais, farinhas e cookies), Organic Alimentos (açúcar, arroz, mel, óleo, chá e água-de-coco), Fhom Alimentos (batata, croutons, torradas e salgadinhos), King of Palms (palmito), Petruz Fruit (polpa de frutas), Bem Orgânico (snacks, torradas e farinha de pão), Famo Alho, Apis Vida (mel e própolis).

Exportações

Sobre exportações do segmento de orgânicos processados dentro do Projeto Organics Brasil, Ming Liu alertou que o setor tem enfrentado alguns problemas lá fora, que dizem respeito à equivalência de certificações. “Se o produtor brasileiro de orgânicos quiser exportar, ele terá de se adequar à certificação do país de interesse; se um produtor estrangeiro quiser vender aqui, terá de se adequar à nossa certificação, que é gerida pelo Ministério da Agricultura”, explica Ming Liu.

Esta falta de harmonização entre as certificações de vários países resulta em vários transtornos e custos maiores. “O produtor deve, por exemplo, adequar suas embalagens para exportar para a União Europeia, para os Estados Unidos ou para os Emirados Árabes”, define Ming Liu. “Isso sem contar com os gastos referentes à obtenção de certificação para cada país de interesse.”

No ano passado, a Apex reuniu-se com delegados da área do agronegócio da União Europeia, informa o executivo, com o objetivo de construir um grupo de trabalho para chegar a um acordo de equivalência. “Os pontos de divergência entre as certificações brasileira e europeia foram todos pautados. Os europeus não aceitam, por exemplo, nossa certificação participativa.” Até agora, porém, informa Ming Liu, as negociações não avançaram.

Em relação aos Estados Unidos, o coordenador do Organics Brasil relata que aquele país já tem acordo de equivalência com vários mercados – Ásia, Europa e Oceania, “mas não tem com América do Sul, nem com o Brasil”, relata ele, informando que, ao que parece, a prioridade norte-americana atualmente é firmar equivalências de certificação com a União Europeia. “O Brasil tem de insistir nesses acordos, sob pena de perder uma importante vantagem competitiva”, finaliza Ming Liu.

O Organics Brasil exportou, em 2013, US$ 130 milhões de dólares em produtos orgânicos processados. Para o triênio 2014-2016, pretende exportar US$ 150 milhões de dólares. Atualmente, 57 empresas estão abrigadas no projeto, que envolve 12 mil famílias de agricultores e pecuaristas orgânicos.