Existem duas Paris: a gelada e a quente, duas cidades completamente diferentes. Com a chegada do verão, a temperatura muda assim como as expressões se aliviam nos vagões do metrô. Paris quente tem um ar mais pesado, portanto pessoas mais leves.

Como a noite tarda a chegar,  os jovens saem para fazer piquenique na beira do Rio Sena e do canal Saint Martin, os terraços dos cafés ficam lotados, as filas nas portas das sorveterias chegam a dobrar as esquinas e não há um espaço de grama disponível nos parques, pois todos já se precipitaram e tomaram seus lugares. Às vezes uma chuva rápida surpreende o parisiense, mas nada que o impeça de sair novamente quando o céu abrir.

Enquanto a conta de luz diminui com o corte do aquecedor, os parisienses ainda hesitam em sair de casa sem um casaco. Um pouco confusos, alguns portam cardigãs, outros jaquetas mais pesadas e alguns se arriscam com shorts ou sandálias dizendo que il fait beau aujourd’hui, traduzindo literalmente para o português: faz bonito hoje.

Eu, como paulistana, nunca dei valor às mudanças climáticas. Afinal, no nosso Brasil as temperaturas sempre estão acima da primeira dezena. Em São Paulo nunca é um alívio entrar em um vagão aquecido pelo calor humano e sempre dá para nadar no mar durante o final de semana.

Como estrangeira, admito que amei assistir essa mudança de estação acompanhada por uma alteração no modo de vida e comportamento do parisiense. Nas minhas idas e vindas para Paris também tive a sorte de desfrutar do charme de uma Paris fria e vazia, mas na minha opinião nada melhor do que um sol de primavera para aquecer o coração dos habitantes da capital francesa.

11116630_826253324115415_1476565724_n

Place des Vosges durante a chegada da primavera de 2015. Na semana em que esta foto foi tirada, Paris teve dias de céu aberto e calor. Para conferir mais fotos da capital francesa, veja o meu Instagram @giovannasaba