Esta é a primeira vez que escrevo para vocês diretamente da minha casa. Zona norte de São Paulo, bairro simples com direito até ao carro da pamonha passando duas vezes por semana, ou mais.

Como é bom estar aqui. É verdade que é sempre maravilhoso estar em Paris, mas nada se compara ao nosso lar. Parece besteira dizer que eu sentia falta do trânsito? Acredite ou não, não fiquei chateada de ficar uns ‘minutos’ a mais na Marginal.

Senti falta do calor humano e da possibilidade de parar em qualquer esquina para comer em um restaurante por quilo. O coração acelerou quando pisei novamente na Avenida Paulista. Os olhos brilharam quando comi um prato quentinho de arroz e feijão e os pés agradeceram quando reencontraram o meu par de chinelos de dedo.

O caminho até o mercadinho da esquina presenciou um grande sorriso nostálgico no meu rosto, ainda que muitas vezes havia passado por lá de cara fechada. Senti saudades do queijo prato fatiado, do pão pseudofrancês, do frentista do posto de gasolina e do cobrador no ônibus.

Ao mesmo tempo, Paris fica dentro de mim e se manifesta muitas vezes durante o dia. Um pedacinho parisiense aparece na hora de preparar um omelete, nas caças a um bom lugar para tomar um café durante a tarde e na mania de pensar que é sempre possível chegar em um lugar rapidamente utilizando o metrô.

Eu aproveito cada segundo que tenho aqui, seja no trânsito, na praia do Guarujá ou colhendo mexericas no jardim. Como é bom estar em São Paulo, senti muita saudade.