Tatuagens são milenares! Talvez o registro mais antigo seja o de Ötzi, um corpo masculino congelado que remete a Idade do Cobre, que traz em sua pele diversas linhas na região das costas, tornozelos, joelhos, punhos e pés. Os cientistas acreditam que essas marcações, possivelmente feitas com carvão em cortes verticais, tenham sido utilizadas como um tipo de tratamento analgésico.

O fato é que as tatuagens se perpetuaram até os dias atuais, exatamente por conseguirem se adequar aos diversos objetivos com os quais tem sido utilizadas, ou seja, desde símbolos ritualísticos, indicação de grupos sociais e, mais recentemente, instrumento de expressão de identidade.

E, como quase todos os símbolos da contemporaneidade, as tatuagens também sofrem com os modismos. A onda agora são as tatuagens em aquarela que, segundo Deborah (Deh) Soares, tatuadora no Studio Lotus Tattoo, em Campinas/SP, teve um aumento na procura nos últimos 3-4 anos e mantem-se num importante crescente em relação as técnicas tradicionais.

Questionada sobre os fatores que impulsionam essa procura, Deh Soares afirma que “cada dia mais profissionais e o público estão percebendo que muitas técnicas usadas no desenho artístico podem ser reproduzidas na pele com a mesma qualidade. E quando um trabalho como esse fica bonito e harmônico, tende a cair no gosto popular”.

A diferença entre uma tatuagem em aquarela e as técnicas tradicionais vai além da estética. Basicamente a diferença está na produção da arte para a execução da tatuagem. Deh Soares explica que o desenho aquarelado é feito em papel ou em outros materiais de forma a reproduzir as manchas aguadas, características do estilo aquarela, para, então, serem reproduzidas posteriormente na pele com técnicas de traço e pintura similares aos outros estilos. “Se tatua a impressão visual do que é o desenho, e não diluindo as tintas como a aquarela artística, como alguns podem imaginar”, esclarece a tatuadora.

*Imagens de desenhos e tatuagens cedidos por da Deh Soares (divulgação). 

O resultado da tattoo, quando bem-feita, é o mesmo das técnicas tradicionais, assim como a sua durabilidade. Quanto ao valor, Deh Soares diz que não são as técnicas que determinam o preço, mas sim o grau de dificuldade do desenho e o tempo de realização da tatuagem.