Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

A marca LAB surgiu em 2009 ainda como um selo musical para profissionalizar artistas do rap e hip hop nacional, a partir das mãos dos artistas Emicida e seu irmão Evandro Fióti, e incrementou naturalmente roupas ao seu mix de produtos, acabando por estrear sua primeira coleção na SPFW com direção criativa de João Pimenta.

Até aí uma transição esperada para qualquer marca que almejasse as passarelas internacionais de uma fashion week, a não ser pelo discurso narrativo que a Laboratório Fantasma desenhou. Inspirada em Yasuke, um samurai negro que viveu no Japão no século XVI, o qual conquistou direito a ser um guerreiro não-japonês a partir de sua força, disciplina e determinação, a LAB discute a importância da cultura da África no mundo e, sobretudo, a importância da diversidade na moda contemporânea (e brasileira).

Os anos Dourados, a década de 1950, simbolizam o início de uma ruptura na estética linear da moda com o surgimento dos jovens transviados, as décadas seguintes promoveram incrementos gradativos no quesito diversidade, mas, de fato, nada comparado ao que temos visto em 2016: as então minorias estão subvertendo a ordem do dia e ganhando espaço e respeito nas passarelas elitistas.

Uma semana de moda importante como a SPFW traz visibilidade e, de certa forma, endossa publicamente os valores de inclusão, democracia e diversidade tratados pela marca.

Seu Jorge de saia? Sim, senhor.

Modelo plus size na passarela? Sim, senhor.

Casting com pessoas normais? Sim, senhor.

Rap na trilha sonora? Claro, meu senhor.

Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

As passarelas internacionais começaram movimentos similares, mas esbarram no conservadorismo daqueles que criam. Muitos ainda negam que a moda possa vir das ruas e dos guetos por a verem como um instrumento de segregação estética.

Por isso, todo esforço de diversidade estética é válido a fim de construirmos novos parâmetros para moda de um futuro próximo, mesmo que ela seja repleta de famosos, roupas oversized, luxo, modismos, reflexões e pessoas normais. A LAB fez barulho nas mídias sociais porque a rua finalmente se viu representada no templo do glamour e do luxo da moda.

E que venham mais e mais laboratórios a fim de representar – e promover – a diversidade e criatividade humana.  Mais barulho para a LAB, por favor.