Nick Wooster

Diversas publicações online e off-line, como é o caso da famosa revista internacional GQ, fazem rankings anuais sobre beleza e elegância masculinas. Claro, como toda lista nunca há consenso, talvez o interesse por elas esteja realmente na incapacidade de agradar a todos… ou seria nossa eterna busca por uma referência?

Particularmente também não concordo muito com o resultado dessas listas e, da mesma forma, você pode não concordar com a minha indicação de agora, mas, para mim, o nome do cara mais estiloso da atualidade é Nick Wooster.

Nick se autointitula um caipira (nascido no Kansas, EUA) e, aos 56 anos de idade, é uma febre nas mídias sociais – já tem 658 mil seguidores só no Instagram (@nickwooster). Por diversas vezes, aliás, disse em entrevistas ficar assustado com essa fama e, sobretudo, espantado pelo fato de homens heterossexuais gostarem do seu estilo demasiadamente caricato.

Suas combinações de roupas podem até, em alguns momentos, passar próximo do excesso e do tecnicamente incorreto. Mas, é aí que Nick ganha relevância. O cara emprega a moda a seu favor. Faz das peças aquilo que bem entende sem a preocupação de críticas e rótulos – que raramente surgem. Para ele a moda está para servir sua personalidade.

Seu estilo nada linear transita entre o clássico rígido inglês e o despojamento total do fast fashion. Bermuda de linho super colorida, calça saruel de malha, blazer estampado de folhagens ou calça super skinny. Nick mistura e alterna com primazia elementos contemporâneos ao melhor da alfaiataria. Seu estilo não está nas peças, mas na forma como coordena cada uma delas no look .

Nick Wooster é de uma geração passada, mas parece ter nascido fora do tempo. Seu estilo tão admirado é resultado da sua mente inquieta, tanto que não para muito tempo em empregos, mas está sempre bem-empregado nas grandes marcas de moda. Ah, não poderia ser diferente né? O cara trabalha com moda desde cedo, mas não é um designer. Como ele mesmo diz: “Sou mais um amalgamador, uma espécie de DJ, que pega duas coisas que não combinam e as mistura”.

Num mundo que se diz tão evoluído (ainda que tantas vezes pareça estarmos na Idade Média), figuras como Nick Wooster são fundamentais para nos lembrar e ensinar a todo momento que somos donos da nossa própria individualidade e estética; e que ter estilo e elegância não é privilégio de poucos, mas sim o exercício do autoconhecimento e da autoafirmação.