Sustentabilidade nunca foi tão discutida quanto tem sido no século XXI. Claramente isso acontece em resposta aos desastrosos e profundos danos que o consumo desenfreado gerou ao nosso planeta. Estamos à beira de um colapso ambiental – alguns estudiosos afirmam até que esse colapso já se deu e que não há como retrocedermos.

Enquanto a Ciência tenta compreender melhor as causas e efeitos do desiquilíbrio ambiental, o homem parece estar se convencendo da situação crítica e da necessidade de mudar hábitos, principalmente aqueles relacionados ao consumo.

Somado a esse novo ponto de vista, cresce uma geração que nasceu em meio as discussões sobre sustentabilidade. Hoje adolescentes que vivem uma relação muito diferente (ainda que não perfeita) com as marcas. Tanto que, talvez, os dois aspectos mais fundamentais dessa relação estejam em querer mais transparência das corporações e exigir, cada vez mais, produtos, processos e serviços sustentáveis.

A indústria da moda, tida historicamente como uma vilã, tanto pelo incentivo voraz a descartabilidade gratuita, como por deter processos poluentes, como é o caso da produção de jeans, também se envolveu em escândalos relacionados ao trabalho escravo, já que o modelo da moda tem priorizado uma produção pautada no volume e no baixo custo.

Mas, em paralelo a isso tudo, iniciativas civis e empresariais têm buscado se não solucionar, pelo menos alertar os consumidores sobre os problemas relacionados ao consumo desenfreado e da origem das roupas que vestimos, com o objetivo de pressionar o setor público e privado a repensar seus modelos de negócios.

Uma dessas iniciativas de destaque é o Fashion Revolution Day, um movimento criado por um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável, ativistas, imprensa e acadêmicos que surgiu com os objetivos de aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto em todas as fases do processo de produção e consumo e mostrar ao mercado consumidor que a mudança é possível através do posicionamento crítico e da exigência de maior transparência das etapas do negócio.

O Fashion Revolution Day acontece tradicionalmente no mês de abril e em diversas localidades do país (você pode conferir se há programação para sua cidade através do site do evento), várias atividades estão programadas com a finalidade de promover a reflexão sobre essa tal moda sustentável.

Mas não ache que a questão está apenas no âmbito da discussão. Várias empresas já têm aderido a essa nova visão e instituído negócios sustentáveis. Assim, cada vez é mais fácil encontrar na praça artigos sustentáveis de moda masculina.

O grupo Malwee, por exemplo, ao qual pertencem as marcas Malwee, Scene, Enfim, Wee!, entre outras, quer se tornar referência mundial em moda sustentável. Entre as matérias-primas sustentáveis empregadas estão fios feitos com resíduos de malhas, fios biodegradáveis que se decompõem em até três anos (na ausência de oxigênio), fios feitos com garrafa PET e até a redução de 45% do consumo de água na produção de jeans.

Enquanto alguns estão entrando nesse mercado, outros já são veteranos. A marca carioca Osklen, criada pelo empresário Oskar Metsavaht, é uma das precursoras no Brasil e, com um trabalho muito bem realizado, já foi elogiada pela ONG WWF (World Wide Fund for Nature) e convidada pela editora de moda mais importante do mundo, Anna Wintour, para compor o casting do Runway Green, um evento que promove a moda sustentável de luxo. A última coleção da marca foi inspirada na tribo indígena brasileira Ashaninka e empregou, além da valorização da cultura local, tecidos de origem natural, como o algodão e o linho.

Peças da coleção Ashaninka da marca Osklen Foto: Reprodução site

Mas não pense que moda sustentável é só para o mercado de luxo. Um dos princípios da sustentabilidade é ser universal, por isso, reaproveitar roupas que não interessam mais a outros, como pontas de estoque de lojistas ou resgaste de peças usadas, são excelentes alternativas para diminuir a produção de novos artigos.

Assim, os brechós, feiras de trocas, empresas de locação e até outlets viraram febre e se disseminam pelo país. Mais do que isso, surge uma cultura de valorização ao reaproveitamento. São Paulo, por exemplo, já tem um “circuito de brechós” que engloba endereços físicos e online. Veja na prática a diferença de preço que pode existir entre um suéter usado e novo (produtos similares) de uma mesma marca: o suéter novo chega a ser quase 11 vezes mais caro que a versão vendida num brechó online.

Essa tal moda sustentável é, no fim, mais simplista e democrática e menos tecnológica, mais não menos bonita e desejável. Portanto, existem várias formas para você consumir mais conscientemente. Experimente!