'The New York Times' discute a importância de 'A Força do Querer' para transgêneros

Redação - O Estado de S.Paulo

O jornal norte-americano entrevistou a produção, além de Pabllo Vittar e moradores da Casa Nem, que acolhe transexuais, travestis e transgêneros

Residentes da Casa Nem assistem à novela 'A Força do Querer' 

Residentes da Casa Nem assistem à novela 'A Força do Querer'  Foto: Dado Galdieri/The New York Times

O jornal The New York Times publicou neste sábado, 7, uma reportagem sobre a importância da novela A Força do Querer para a representatividade das pessoas trans no Brasil.

Intitulada Transgender Brazilians Embrace Hit Soap Opera: ‘Now You Can See Us’ (Transgêneros brasileiros abraçam novela de sucesso: 'Agora vocês nos veem', em tradução livre), a matéria entrevista membros da produção da novela, além de Pabllo Vittar e  moradores da Casa Nem, que acolhe transexuais, travestis e transgêneros no Rio de Janeiro.

'A drag queen mais seguida [nas redes] no mundo é brasileira', disse Pabllo ao jornal. 'E ainda assim temos esses problemas aqui.'

'A drag queen mais seguida [nas redes] no mundo é brasileira', disse Pabllo ao jornal. 'E ainda assim temos esses problemas aqui.' Foto: Dado Galdieri/The New York Times

Além de discutir o enredo da novela, o texto ainda traz um panorama dos direitos e da atual situação da população LGBT no País. 

"Enquanto o Brasil desenvolveu uma reputação por políticas sociais inclusivas durante os 13 anos em que foi governado pelo Partido dos Trabalhadores, de esquerda, cujo mandato acabou no ano passado, o País continua em diversos aspectos uma nação muito conservadora, na qual ativistas afirmam que gays e pessoas transgênero enfrentam estigmatização e violência", escreve a repórter.

O texto é assinado por Shannon Sims e explica que a novela atinge um público amplo no Brasil em uma época na qual temas relacionados a gays e transgêneros estão mais em alta por aqui. 

"A história de Ivan, transmitida logo após o telejornal mais assistido do País, pode ser o retrato positivo mais proeminente de questões trans na cultura pop", reflete a jornalista.

Sims descreve como a novela reflete parte do dia a dia de moradores da Casa Nem. Ela traz o exemplo de Letthycia Siqueira, que foi expulsa de casa aos sete anos de idade por se vestir com roupas femininas. "Eu vivi tudo que a novela está mostrando", disse ela ao jornal. "As pessoas trans passam por dificuldades e enfrentam o preconceito, não importa de que cor ou classe são. Nós todos fomos rejeitados em momentos diferentes", afirma. 

Ao fim, a reportagem mostra como a novela deu esperança a Letthycia. "Nós sempre fomos invisíveis", disse ela com os olhos grudados na televisão. "Pelo menos agora as pessoas têm a chance de abrir o coração. Pelo menos agora vocês nos veem".