Cosplayers criticam personagem de 'A Força do Querer'; Globo diz que respeita diversidade

Redação - O Estado de S. Paulo

Página de Facebook afirma que Globo quer 'ridicularizar', mas emissora diz que respeita a prática de cosplay

Yuri (Adriano Alves), com cosplay de Goku, e a mãe Heleninha (Totia Meirelles)

Yuri (Adriano Alves), com cosplay de Goku, e a mãe Heleninha (Totia Meirelles) Foto: TV Globo/Estevam Avelar

Um post no qual a página de Facebook Cospositivismo critica a personagem Yuri (Drico Alves), da nova novela da Globo, A Força do Querer, está ganhando repercussão nas redes sociais. A nota, publicada em 1º de abril e compartilhada por mais de 2,7 mil pessoas, critica a forma como a trama retrata o adolescente, que faz cosplay e não interage com pessoas fora do celular, mesmo em casa.

Na trama, que começou nesta segunda-feira, 3, Yuri é filho de Heleninha (Totia Meirelles) e Junqueira (João Camargo). O rapaz preocupa os pais porque é viciado em tecnologias e só se comunica por mensagens de celular. Além disso, faz cosplays diferentes e incorpora pessoas da ficção - para quem não sabe, cosplay é o ato de vestir-se de algum personagem ficcional (normalmente de desenhos, filmes, quadrinhos ou mangás). Muitas vezes, os entusiastas usam técnicas teatrais para incorporar a personagem, inclusive personificando sua personalidade.

Geralmente, o cosplay é feito em situações como eventos que reúnem amantes da cultura japonesa. Entre campeonatos de videogame e ateliês de discussão de animês, esses eventos também trazem apresentações teatrais de cosplayers, que podem simular lutas ou outras situações da história na qual sua personagem se baseia.  

A página Cospositivismo, que promove a diversidade no mundo do cosplay e busca quebrar tabus sobre a prática, ressalta que não está promovendo qualquer tipo de ataque à Globo, mas que deseja que cosplayers sejam representados "da maneira como realmente somos, e com respeito". O texto do post começa com a hashtag "#yurinaomerepresenta".

"Cosplayers são pessoas normais, mães e pais, homens e mulheres de diversas idades, de várias etnias e tipos físicos diferentes. Pessoas que também acordam cedo pra trabalhar e chegam tarde cansadas do trabalho, aliás, trabalho que nos dá dinheiro e recursos para correr atrás de nossa paixão por essa arte. Muitos de nós ganham a vida fazendo esta arte para poder pagar as despesas no fim do mês", diz o texto.

"A maioria de nós não é reclusa e refém da tecnologia ou anti-social, muito pelo contrário. Estudos comprovam que pessoas que fazem cosplay têm maiores chances de socializar e se de desenvolver habilidades de interpretação e atuação", segue a nota, que convoca adeptos do cosplay a explicar às pessoas que o que é o cosplay. 

Globo. Após ser contatada pelo E+, a Globo emitiu uma nota na qual ressalta que respeita a prática de cosplay. "O personagem Yuri, interpretado por Drico Alves em A Força do Querer, é um adolescente que, como muitos de sua geração, prefere se comunicar com as pessoas através de aplicativos de celular. A Globo apoia a diversidade e respeita a prática de cosplay", diz a nota.