Uso da burca é condenado por Angela Merkel. Entenda o caso

Isabela Serafim - Especial para O Estado de S.Paulo

Chanceler alemã discursou contra o traje no congresso de seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), na terça-feira, 6

Angela Merkel é contra o uso da burca na Alemanha.

Angela Merkel é contra o uso da burca na Alemanha. Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay

A chanceler alemã Angela Merkel declarou ser contra trajes muçulmanos no congresso de seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), na terça-feira, 6, em Essen, na Alemanha. "O véu que cobre toda a face tem que ser proibido onde for legalmente possível", disse se referindo ao nicabe, que deixa apenas os olhos à mostra.

Fazendo campanha para o quarto mandato à frente do governo da Alemanha, Merkel ainda disse ser contra a burca, traje completo muçulmano e que cobre todo o corpo. Ao jornal britânico The Independent, ela ainda relatou que a crise dos refugiados não se repetirá na Europa.

Em agosto, Thomas de Maizière, ministro do Interior e aliado da chanceler, defendeu uma interdição da burca. "Há a necessidade de introdução de medidas que esclareçam que mostrar o rosto é importante para quando se conduz um automóvel, nas escolas, nos serviços públicos, nos tribunais", afirmou em entrevista ao canal de televisão ZDF.

O véu que mostra apenas os olhos é chamado de nicabe.

O véu que mostra apenas os olhos é chamado de nicabe. Foto: REUTERS/Toussaint Kluiters

"É uma questão muito complexa. Proibir a burca é proibir uma manifestação religiosa. Não vejo tanto embasamento para isso. Se for uma questão de segurança, os ataques que já aconteceram na região não tiveram mulheres de burca como responsáveis", conta a jornalista especializada em conflitos políticos e tolerância religiosa Adriana Carranca.

A questão dos trajes muçulmanos na Europa é polêmica. Na França, a burca é proibida há cinco anos. As mulheres que usam a vestimenta são multadas. "A França proibiu o uso da burca por ser um estado laico, mas um estado laico não deve interferir na escolha religiosa de cada um", diz Adriana.

Tradicional no Afeganistão, a burca pode ser considerada um traje único, ‘uma peça’, que vem com uma tela na área para possibilitar a visão. O nicabe deixa apenas os olhos à mostra. Já o hijab cobre a cabeça, mas mostra a face. Ainda existem abaya, xador, jibab… O tamanho e tipo da vestimenta muda de acordo com cada região. 

Adriana não vê como positiva a posição de Merkel. "A Alemanha recebeu muitos refugiados. Mesmo tendo uma estrutura para isso, o País não estava preparado para o choque cultural. Acho que a posição da chanceler pode ser vista como hostil pelos muçulmanos."