Tatuagem se torna menos tabu no ambiente de trabalho

Jena McGregor - O Estado de S.Paulo

Não há dúvida que trabalhadores mais jovens têm orgulho da sua tatuagem e os patrões estão tentando responder a isso

40% dos jovens da chamada geração do Milênio têm tatuagem e quase a metade deles tem entre duas e cinco, aponta estudo

40% dos jovens da chamada geração do Milênio têm tatuagem e quase a metade deles tem entre duas e cinco, aponta estudo Foto: Bart Heird/ Creative Commons

Ao que parece, mais patrões estão se preocupando menos com a ideia do funcionário com tatuagens.

Na semana passada o The Huffington Post informou que a cadeia de sanduíches Jimmy John's - conhecida por ser muito rigorosa quanto aos trajes dos funcionários, estabelecendo até a cor das solas dos sapatos que usam - estaria flexibilizando sua política no tocante ao uso de tatuagem.

"Alguma tatuagem, tudo bem, desde que seja de bom gosto e não no rosto ou na garganta", estava escrito num memorando da empresa. "Nada de sexo, drogas, ou coisas profanas, por favor. Se a sua mãe não aprova, melhor cobrir a tatuagem".

O que parece ser a tendência de várias outras grandes empresas no tocante às suas normas envolvendo as tatuagens. Starbucks e PetSmart também adotaram mudanças no ano passado, permitindo o uso de tatuagens "adequadas". Mesmo o Exército americano também flexibilizou suas regras no início deste ano.

Não há dúvida que trabalhadores mais jovens têm orgulho da sua tatuagem e os patrões estão tentando responder a isso. De acordo com um estudo realizado em 2010 pelo Pew Research Center, 40% dos jovens da chamada geração do Milênio têm tatuagem e quase a metade deles tem entre duas e cinco. 

Pode ser também que, à medida que mais pessoas com tatuagem sobem nos escalões corporativos, elas estão defendendo cada vez mais políticas autorizando as tatuagens.

Há "sem dúvida" um afrouxamento de restrições no setor da restauração, disse Brian Elzweig, professor de Direito na Texas A&M University-Corpus Christi, que estuda o aspecto legal envolvendo a tatuagem no ambiente de trabalho. "Acho que há cada vez mais pessoas com tatuagens que vêm assumindo cargos de direção e, visível ou não, sua atitude é muito mais tolerante".

As lojas e lanchonetes também estão sentindo a contração de uma mão de obra mais restrita e no geral vêm flexibilizando suas exigências quanto ao modo de o funcionário se apresentar no geral, reconhecendo que excesso de restrições pode ser um obstáculo na contratação de empregados mais qualificados. Em junho o Wall-Mart passou a oferecer mais opções para os funcionários quanto ao traje para trabalhar. Abercrombie & Fitch também afrouxaram suas regras de vestir para os empregados no começo do ano. 

A decisão da Jimmy John's em parte pode ter sido resultado de uma petição lançada no website Coworker.org, assinada por quase nove mil pessoas, incluindo 4.600 funcionários do próprio Jimmy John's. Foi inspirada numa campanha similar lançada com sucesso por funcionários do Starbucks em outubro último, conseguindo incentivar a cadeia a mudar sua política e permitir tatuagens à mostra. 

"Não é pedir muito que nos deixem expressar nossa individualidade", foi a campanha do Jimmy John's.

Mas se mais companhias estão flexibilizando suas restrições aos jovens - provavelmente mais precavidos - têm alguma preocupação em termos profissionais. Recente estudo realizado pela Universidade de Tampa concluiu que para 86% dos alunos objeto da pesquisa as pessoas com tatuagens muito à mostra têm mais dificuldade em encontrar um emprego. E quase a mesma proporção afirmou que se optar por uma tatuagem, pensará em fazer uma em local que poderá ocultar. 

Tradução de Terezinha Martino