SPFW: estilista faz apresentação apenas com looks em rosa millenial

Maria Rita Alonso - Especial para O Estado de S. Paulo

Good vibes, cristais de quartzo e o tom de rosa dão clima místico a desfile de Paula Raia

Desfile ocorreu um espaço artístico que fica em um coworking da Vila Madalena

Desfile ocorreu um espaço artístico que fica em um coworking da Vila Madalena Foto: Instagram/@agfotosite

O desfile de Paula Raia, que ocorreu na segunda, 28, não foi bem um desfile, foi uma experiência – para usar uma palavra da moda. Os convidados receberam um robe cor de rosa claro de linho logo na entrada da Flag, um espaço artístico que fica em um coworking da Vila Madalena. Em seguida, em grupos, percorreram quatro ambientes nos quais as modelos dançavam e posavam como bailarinas em vez de cruzar a passarela, em uma apresentação performática e sensorial, com direito a incenso no ar e quartzos rosa espalhados na decoração.

 

O cristal, aliás, serviu como referência também para a coleção, toda em tons rosados. Algodões, rendas e richelieu ganharam aplicações e bordados vítreos, em uma simetria inspirada na artista plástica norte-americana Agnes Martin, conhecida por seu trabalho místico. É a moda do bem-estar, do wellness, da espiritualidade. 

A seguir, a estilista Paula Raia fala com exclusividade ao Estado sobre suas inspirações e desafios. 

Enquanto a moda corre tentando encontrar um caminho, você decidiu investir na moda sem pressa. Como foi essa escolha? 

Não sei se foi exatamente uma escolha, mas uma adaptação do meu trabalho ao meu mundo, ao meu ritmo e ao que eu acredito como roupa, como vivência. Sem pressa, com conteúdo e autenticidade. 

De onde surgiu a ideia do rosa?

Eu nunca tinha trabalhado o rosa na minha marca. Foi um desafio e uma revelação. A cartela de cores surgiu muito da minha paixão pelos cristais. 

Por que vestir os convidados também?

Eu quis sair do desfile convencional e apresentar a minha coleção como uma vivência coletiva, onde todo mundo pudesse entrar no clima da coleção em uníssono. 

Como a moda pode ajudar a melhorar o mundo?

A moda é o corpo. Pensar roupa é pensar no corpo de forma completa, emoções, afetos, razão, estética. Propor transformações no corpo é propor transformações no mundo. Fora isso, procuro seguir um sistema de produção das peças humano, com respeito a todas as trabalhadoras envolvidas no processo. 

Como é ser uma estilista no Brasil? Qual vem sendo seu grande desafio?

Ser estilista é ter muita dedicação, é acreditar no seu trabalho mesmo quando todos falam o contrário.