Série leva blogueiras de moda a conhecer fábrica de roupas no Camboja

Mariana Belley - O Estado de S.Paulo

'Sweatshop - Dead Cheap Fashion' faz fashionistas trabalharem e conhecerem a realidade desses funcionários

A blogueira Anniken Jørgensen se emocina com a realidade dos trabalhadores cambojanos da indústria têxtil

A blogueira Anniken Jørgensen se emocina com a realidade dos trabalhadores cambojanos da indústria têxtil Foto: Reprodução

 

'Logo que chegamos, os empregados começaram a nos contar sobre o trabalho que eles faziam na fábrica de roupas. Então uma mulher nos disse que costurava suéteres, da mesma forma, há 14 anos. Que tipo de trabalho é esse? Ninguém deveria ficar tanto tempo fazendo a mesma coisa. Quando penso nisso, começo a chorar. Que tipo de vida é essa?' É assim que a blogueira de moda norueguesa Anniken Jørgensen descreve um dos relatos que ouviu durante o confronto com a realidade que viveu no Camboja.

Ao lado de outros três jovens blogueiros de moda da Noruega, Anniken é uma das protagonistas do reality show online Sweatshop - Dead Cheap Fashion, que aborda a exploração do trabalho na indústria têxtil do Camboja. Os outros participantes são Frida Ottesen e Ludvig Hambro. Dividido em 5 episódios, o programa é produzido pelo site do maior jornal da Noruega, o Aftenposten, que levou os 3 jovens (fashionistas e ricos)para ver de perto o que acontece na capital Phnom Penh. Lá, durante um mês, eles sentiram na pele como é a rotina dos empregos das chamadas "sweatshops", fábricas têxteis que oferecem baixos salários e péssimas condições de trabalho.

Cada cena mostra o choque de realidade entre os dois mundos. No primeiro episódio, os blogueiros mostram seu guarda-roupa e se revelam animados e curiosos com a experiência. Eles têm personalidades diferentes, mas, em comum, mantém a paixão pelas compras. Anniken, por exemplo, revela numa boa que gasta 600 dólares em roupas todo mês. No segundo episódio, no entanto, a história começa a mudar. Na casa de Sokty, uma trabalhadora cambojana de 25 anos, eles descobrem como vivem as pessoas que costuram as roupas que eles tanto gostam de esbanjar. Sokty ganha 130 dólares por mês e gasta 50 dólares com as despesas domésticas, aluguel, luz e água. Trabalha 7 dias por semana, 12 horas por dia. 'Aos domingos, são 8 horas de trabalho. Trabalhamos sem descanso', completa. 'Eu sinto muito por ela, mas acho que é assim que ela viveu toda a sua vida”, diz Frida no vídeo. 'Nosso banheiro é maior que toda a casa dela', afirma Anniken. Depois, os jovens acompanham Sokty até uma loja de roupa na cidade, a Mango. É quando a jovem cambojana se surpreende. Sokty segura uma jaqueta e diz: 'Eu teria que trabalhar um ano pra conseguir comprar essa jaqueta.'Por fim, o trio acaba dormindo, no chão, na casa de Sokty.

O terceiro episódio mostra a mão na massa: os participantes finalmente conhecem a fábrica em que dezenas de cambojanos costuram peças de roupas. Os blogueiros aprendem a usar a máquina, não sem antes ficar espantados com o pequeno espaço e a quantidade de pessoas que se espremem lá. 'Foi cansativo para mim, nunca tinha feito nada assim, antes.' diz Anniken no vídeo. Frida concorda: 'Você senta na frente da máquina de costura e repete sempre a mesma costura. Estou há 2 horas fazendo isso, com fome e cansada'.