'Porta dos Fundos' faz crítica ao trabalho escravo na moda; marcas respondem

Anna Rombino - Especial para O Estado de S. Paulo

Zara, GAP e Guess foram citados no vídeo 'Fashion Week' do canal

No vídeo 'Fashion Week', do canal 'Porta dos Fundos', Gregorio Duvivier é o estilista Roger Sued 

No vídeo 'Fashion Week', do canal 'Porta dos Fundos', Gregorio Duvivier é o estilista Roger Sued  Foto: https://www.youtube.com/watch?v=CH0p6L3Sc-s

O vídeo do canal 'Porta dos Fundos' publicado na segunda, 20, trata de um tema muito polêmico: o trabalho escravo na moda. No 'Fashion Week', Gregorio Duvivier interpreta o estilista fictício 'Roger Sued', que fala abertamente para uma repórter, interpretada 'Karina Ramil', de sua coleção feita por crianças chinesas escravas. 

Em um momento do vídeo, a jornalista pergunta ao designer sobre suas referências, e ele responde: "Olha, o pessoal vai dizer que eu estou copiando a Zara. Mas a própria Zara já copiou essa coisa de escravidão, por sua vez, da GAP, que copiou da Guess, que se for ver, copiou lá das pirâmides, porque já tinha escravidão nas pirâmides."

Procurada pela redação do E+, a GAP e a Guess se pronunciaram em comunicado. Veja abaixo.

GAP

"Como uma companhia comprometida em causar um impacto positivo com nossos negócios, a Gap Inc. vem trabalhando por mais de duas décadas para melhorar as condições dos trabalhadores nas fábricas que fazem nossas roupas. 

Na Gap Inc., nós explicitamente proibimos o uso de trabalho forçado na fabricação de nossos produtos pelo nosso Código de Conduta do Fornecedor (Code of Vendor Conduct, em inglês) e nosso Acordo de Conformidade do Fornecedor( Vendor Compliance Agreements), e trabalhamos contra essa violação dos direitos humanos. 

Pagar o salário mínimo local é um requerimento fundamental do Código de Conduta do Fornecedor para todas as fábricas aprovadas dentro da cadeia de suprimentos global da Gap Inc. Se alguma fábrica for descoberta com violações do salário mínimo e não corrigí-lo dentro de um prazo aceitável, a Gap Inc. irá encerrar a relação comercial. Nós também encorajamos todos os fornecedores da Gap Inc. a pagar salários competitivos a seus empregados. Além disso, exigimos que os fornecedores ofereçam uma compensação por quaisquer horas extras trabalhadas, que devem ser voluntárias.

Também reconhecemos a importância em aumentar a transparência para fazer mais mudanças em nossa indústria e, no último mês de setembro, demos o passo de publicar a lista de cerca de 900 fabricas aprovadas que manufaturam nossos produtos pelo mundo. 

Sabemos que existe mais trabalho a ser feito, mas continuamos empenhados em ajudar a garantir que mulheres e homens que fabricam nossas roupas sejam tratados com dignidade e repeito." 

Guess

"Nos seus mais de 30 anos de história, a GUESS nunca esteve em nenhum escândalo envolvendo temas de violência, trabalho irregular ou qualquer assunto de natureza duvidosa no Brasil e em nenhum outro país onde atua. A empresa é idônea e preserva sua imagem e integridade respeitando seus colaboradores, clientes e consumidores de maneira igualitária e humana. 

O episódio 'Fashion Week', do grupo Porta dos Fundos, é uma sátira que problematiza um tema, infelizmente, legítimo e existente no mercado da moda, mas que não diz respeito à conduta e política da GUESS. A GUESS lamenta ter sido citada equivocadamente e entende que foi uma citação infeliz, precipitada e errônea. 

A GUESS? Inc. e suas subsidiárias ao redor do mundo impõem a todos os seus fabricantes um rigoroso código de conduta que estabelece padrões legais e éticos de fornecimento, tais como - mas não se limitando a -, proibição do uso de mão de obra infantil, trabalho escravo ou em condição análoga. Neste sentido, mantém um programa de compliance social sujeito à auditoria interna e externa cujos relatórios são compartilhados com seus investidores no Relatório Anual de Sustentabilidade. Isto posto, a Companhia repudia e não compactua com qualquer prática de trabalho escravo ou em condições degradantes', declarou André Hering, CEO da GUESS no Brasil.

A GUESS reitera que não há nenhum histórico de envolvimento da empresa em casos de trabalho irregular no Brasil e em nenhum outro lugar do mundo. A marca reafirma que não compactua com esse tipo de prática."

A Zara não quis se pronunciar sobre o tema.