Na Vuitton, estilista lança coleção para mulheres ativas

Lilian Pacce - ESPECIAL PARA O ESTADO - O Estado de S.Paulo

Para uma marca centenária, fundada em 1854, de tradição em malas e bolsas, inovar apostando no efêmero segmento da moda foi um passo no mínimo ousado. A ousadia, no entanto, compensou os esforços e a Louis Vuitton adquiriu novo status quo desde que lançou sua primeira coleção de roupas prêt-à-porter sob direção criativa do americano Marc Jacobs em 1997.

É incrível como a Louis Vuitton é um universo de contrastes. Os arquivos, o patrimônio, as histórias são muito importantes e, ao mesmo tempo, há um enorme campo imaginário. Há um patrimônio real, (re)conhecido, que existe ao lado deste espaço imaginário. São tantas histórias guardadas nos arquivos! Você vê algo que foi criado especialmente para alguém e que pode pontuar uma coleção, como as pequenas máscaras que aparecem nas bolsas do desfile – na verdade, elas foram inspiradas nas malas rígidas criadas especialmente para levar a coleção de máscaras africanas de Gaston Louis Vuitton. Achei isso genial e interpretei do meu jeito, com o monograma (as letras LV que são a logomarca) – é uma referência bem livre, mas que está ali. Ou seja, o patrimônio é algo extraordinário na Vuitton, mas, ao mesmo tempo, há a liberdade de criar e transformar com muito respeito o que existe, e isso já vinha sendo feito antes da minha chegada. Trata-se do seu olhar. Sem nenhum detrimento da excelência e da beleza na fabricação de cada item, esta cultura mais lúdica é muito importante aqui. É preciso criar o desejo de moda, sim, mas de preferência com um sorriso no rosto.

Charlotte Gainsbourg, que é uma mulher muito corajosa. Ela faz escolhas radicais – e temos isso em comum, não fazemos nada pela metade. É uma verdadeira atriz, que não tem medo de papéis que outras temeriam. Adoro isso, acho muito inspirador. Ela é fora do comum, uma verdadeira iconoclasta – pode fazer tanto uma comédia francesa quanto o Anticristo ou Ninfomaníaca (filmes de Lars von Trier), é realmente múltipla. E há também o lado afetivo: somos da mesma geração, nascemos no mesmo ano. É como se tivéssemos crescido juntos. Quando nos conhecemos, senti que eu já a conhecia a vida toda!