'Modelo é uma das poucas profissões em que a mulher ganha mais do que o homem'

Mariana Belley - O Estado de S.Paulo

Considerado o modelo número 1 do Brasil, Marlon Teixeira fala sobre a carreira, a parceria com Gisele Bündchen e o início na moda. 'Tinha vergonha de falar o que eu fazia'

Foto: Divulgação

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Marlon Teixeira é o modelo brasileiro de maior projeção internacional. Aos 23 anos, ele transita com segurança entre anúncios comerciais e desfiles conceituais e, por sua desenvoltura em frente às câmeras, ganhou dos fotógrafos o apelido de Gisele Bündchen de calças. O ótimo desempenhos dele e da übermodel juntos, aliás, pode ser visto na atual campanha do perfume 212 Carolina Herrera, em que formam um belo casal - na vida real, ele é apontado como par da atriz Bruna Marquezine. Assim como Gisele, Marlon começou cedo na profissão. Tinha 16 anos e só queria saber de surfar em Balneário Camboriú, sua cidade natal, quando foi descoberto por Anderson Baumgartner, sócio-diretor da agência Way Model. 

A ascensão foi rápida: já no primeiro casting, ele firmou contrato de exclusividade com a Dior e, desde então, emenda um trabalho no outro. Mudou-se para Nova York aos 18 anos e já cruzou a passarela de grandes nomes como Giorgio Armani, Dior, Hermés, Roberto Cavalli e Dolce & Gabbana. Também foi clicado por fotógrafos poderosos ao lado de mulheres idem, a exemplo de Megan Fox e Shakira. Ainda que pouco explorado no Brasil, o mercado de modelos masculinos vem crescendo. 'Mas essa é uma das poucas profissões em que a mulher ganha muito mais do que o homem', conta ele em entrevista ao Estado concedida durante a festa de lançamento da revista L'Officiel Hommes, da qual é capa, que ocorreu na noite da última terça, 2, em São Paulo. Segundo Jardel Turgante, booker da Way Model, um modelo homem, que não é top model nem new face, ganha em média 40% a menos do que uma mulher em publicidades. 'E eu acho que elas merecem mesmo. Quantos homens compram revista de moda?' questiona Marlon. Leia a entrevista abaixo.

Você já sofreu preconceito por ser modelo?

Não me lembro de sofrer preconceito. Pelo contrário. Eu que tinha preconceito. No começo da carreira, aos 16 anos, eu tinha vergonha de falar o que eu fazia. Comecei muito cedo. Quando me perguntavam eu sempre desconversava. Mas, com o tempo, percebi que as pessoas achavam legal. 

A que fatores credita o seu sucesso?

Eu não sei. É mais fácil falar das outras pessoas do que da gente. Eu não me acho bonito, então é difícil dizer o que me fez chegar aqui. Acho que a minha personalidade ajuda muito. 

Se não fosse modelo, qual profissão teria?

Não sei. Eu comecei muito novo. Meu sonho era ser surfista profissional. 

Você fez faculdade?

Não, mas tenho vontade de fazer, sim! Gostaria de estudar gastronomia.

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Li que você é dono de um restaurante.

Sim. Tenho um restaurante mexicano em Praia Brava, Santa Catarina. Começou como um trailer e agora o negócio cresceu.

Já que você gosta de comer, como mantém a forma?

A minha falta de rotina torna os cuidados com a saúde complicados. Mas estou sempre ativo. Em Nova York, onde moro, ando de skate e faço caminhadas no parque. Se estou na praia, eu surfo e nado. Também gosto de fazer yoga e pilates. Eu odeio academia. Acho muito chato, então eu tento sempre fazer algum esporte. 

Modelos homens ganham menos que as mulheres?

Com certeza. Apesar do mercado de modelos masculino ter crescido bastante, ainda não dá para comparar. O feminino é muito maior. Acho que é uma das poucas profissões do mundo em que a mulher ainda ganha muito mais do que o homem. E eu acho que elas merecem mesmo. Quantos homens compram revista de moda? Quantos homens se importam com a nova bolsa que vai ser lançada? 

Como é trabalhar com Gisele Bündchen?

Depois te trabalhar com ela, eu virei fã. Foi incrível conhecê-la e fotografar com ela.

Como você define seu estilo?

Quando estou na cidade, eu gosto de colocar uma bota de couro, calça jeans e chapéu. Na praia, passo o dia de bermuda e chinelo. Tenho estilos diferentes e adoro roupa vintage. 

O que você se imagina fazendo daqui a 30 anos?

Jamais pensei em ser modelo e hoje essa é minha profissão. Não consigo me imaginar daqui a 5 anos, por exemplo, mas com uns 30 e poucos eu não quero mais trabalhar para trabalhar mais. Eu quero trabalhar para poder trabalhar cada vez menos. E também quero construir minha família, morar perto da praia... Eu me imagino com uma vida tranquila. 

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