Marca de cosméticos promove prêmio de pesquisas anticrueldade animal

Helena Tarozzo - O Estado de S.Paulo

Lush oferece prêmio de 250 libras e, de volta ao Brasil, planeja abrir uma fábrica

Grande vitrine para a causa vegana e uma forma de reafirmar a identidade da marca, que acaba de retornar ao Brasil.

Grande vitrine para a causa vegana e uma forma de reafirmar a identidade da marca, que acaba de retornar ao Brasil. Foto: Divulgação

Pioneira na produção de cosméticos sem o uso de matéria prima ou testes em animais, a marca britânica Lush recebe inscrições até o dia 25 de julho para o Lush Prize (http://www.lushprize.org/). Com prêmio de 250 mil libras destinados a investimentos na pesquisa de cosméticos anticrueldade animal, o concurso é destinado a farmacêuticos e pesquisadores do mundo inteiro. Trata-se de uma grande vitrine para a causa vegana e uma forma de  reafirmar a identidade da marca, que acaba de retornar ao Brasil. “Muitas vezes ouvimos dos próprios pesquisadores que o trabalho com animais é mais entendido e custeado por companhias e universidades. Então, ter um Prêmio que investe em pesquisas sem animais dá um novo brilho para cientistas que se sentem esquecidos e sem valor”, afirma Hilary Jones, diretora de ética da Lush.

De volta ao Brasil após sete anos (a primeira operação foi em 2007, quando a empresa fechou as portas), a Lush inaugurou em junho a maior loja da marca no mundo. Localizada na Rua Oscar Freire, a loja conta com um SPA terapêutico e vende todos os produtos das linhas de banho, cabelo, corpo e maquiagem. Essa primeira leva foi toda trazida de fora, mas faz parte dos planos da marca abrir uma fábrica própria na região de Atibaia (SP), nos próximos meses. Dessa forma, a operação ficará mais rentável.

Essa volta ao Brasil consolida um passo da marca, atuante em mais de 35 países, com o planejamento inicial de abrirem 30 lojas por aqui.  “A economia agora está melhor e nós procuramos achar a localização perfeita para a loja e o SPA, além de também ter a experiência tocar a companhia no Brasil, o que trará a mesma qualidade e diversidade de produtos que temos fora”, explica Hilary. Nessa primeira fase, a Lush conseguiu trazer preços competitivos em relação a empresas nacionais, como O Boticário e Natura. “Voltamos no momento certo”, diz Hilary. “O brasileiro está mais consciente hoje sobre as causas ecológicas e veganas”.

 Fundada em 1970, por Mark Constantin, a marca carrega os princípios hippies da década.  Na sua produção é abominado o uso de matérias e testes em animais, de embalagens e de desperdício de energia - ou seja, todo seu DNA é sustentável. Eles usam ingredientes frescos, como frutas e vegetais, e sua produção é feita à mão. “Nosso modelo de trabalho não é fácil. Nós tocamos uma empresa de cosméticos como se ela fosse uma padaria. Mas os gastos se trocam - ao invés de precisar de máquinas caras, colocamos alguns pares de mãos extras na nossa equipe e nossa produção continua”, diz Hilary. No Brasil, ela acredita que a marca poderá usar matérias primas nacionais e gerar empregos para gente que se preocupa com o meio ambiente.