Lagerfeld ataca #MeToo, nova geração de estilistas e Harvey Weinstein

Redação - O Estado de S.Paulo

Em entrevista à revista Numero, diretor criativo da Chanel e da Fendi desabafa e debocha sobre polêmicas

O alemão Karl Lagerfeld e a modelo Cara Delevingne, no encerramento de um desfile da Chanel, em 2014

O alemão Karl Lagerfeld e a modelo Cara Delevingne, no encerramento de um desfile da Chanel, em 2014 Foto: Stephane Mahe/Reuters

Diretor criativo da Chanel e da Fendi, Karl Lagerfeld deu uma entrevista daquelas à revista francesa Numero. Aos 84 anos de idade, sem papas na língua, esnobou a nova geração de designers hype da moda, reclamou do movimento #MeToo e atacou o produtor Harvey Weinstein, entre outros, se utilizando de ironias e de uma sinceridade ímpar na moda.

O desabafo começa quando lhe perguntam sobre o excesso de pressão e trabalho de que alguns de seus pares, como Raf Simons, vem reclamando, enquanto ele cuida da criação de três marcas (além de Chanel e Fendi, da que leva seu nome) simultaneamente. "Nunca reclamei. E é por isso que os outros estilistas me odeiam. Sou uma máquina", afirma, meio em tom de deboche, citando Azzedine Alaïa como o responsável por culpá-lo sobre o ritmo insustentável da moda hoje. "Perdi meus dois melhores inimigos no ano passado, Pierre Bergé e o outro [Azzedine]."

Em clima de provocação e intimidade, o entrevistador pergunta se ele pode elencar, em ordem decrescente de talento, os estilistas Simon Porte Jacquemus (da Jacquemus), Jonathan Anderson (JW Anderson e Loewe) e Virgil Abloh (Off-White e Louis Vuitton masculino)? "Os estilistas que prefiro, em desordem, são Marine Serra - 1,50m [de altura] mas nervos de aço -, Jacquemus, que me faz rir... E que é ao menos é bonito também. Para finalizar J.W. Anderson, mesmo que sua abordagem seja intelectualizada demais - sem dúvida, não devo ter estudado o suficiente", zomba. Qual dos três [Jacquemus, Virgil ou Jonathan] levaria para uma ilha? “Eu cometeria suicídio antes”, completa o designer.

Na mesma entrevista, se diz cansado do movimento #MeToo e sugere que as modelos deveriam saber no que estão trabalhando. “No caso do [ex-diretor criativo da Interview] Karl Temper, uma menina reclamou que ele puxou suas calças e ele foi instantaneamente excomungado de uma profissão pela qual era venerado até então. É inacreditável. Se você não quer que puxem suas calças, não vire modelo. Vá para um convento ao invés disso. Sempre haverá um lugar para você num convento. Eles até recrutam!”, ironiza o estilista. 

O assunto assédio rende mais comentários. “O que mais me choca em tudo isso são as estrelas que levaram 20 anos para lembrar do que aconteceu. Sem falar no fato de que não há testemunhas de acusação… Li em algum lugar que agora você deve perguntar para a modelo se ela se sente confortável posando. É simplesmente demais”, declara, emendando. “Não suporto o sr. Weinstein. Tive um problema com ele no amfAR. Ele não é o que se pode chamar de um homem de palavra.”