Jovem diz que quase ficou cega após ter alergia a cosmético

Gabriela Marçal - O Estado de S. Paulo

Especialistas comentam os perigos de reações alérgicas a produtos de beleza

Imagem publicada por Tylah Jae Durie após tratar a alergia

Imagem publicada por Tylah Jae Durie após tratar a alergia Foto: Reprodução/ Facebook Tylah Jae Durie

O post de Tylah Jae Durie está viralizando nas redes sociais desde 22 de janeiro, quando  a jovem publicou no Facebook imagens fortes e um relato sobre uma reação alérgica que teve ao pintar a sobrancelha e os cílios; ela afirmou que sentiu muitas dores e quase ficou cega. A publicação já tem mais de 4,3 mil comentários e tem causado preocupação nas pessoas em relação ao uso de cosméticos.

Especialistas consultados pelo ‘Estadão’ afirmaram que os sintomas que aparecem nas imagens, realmente, podem ter sido causados por uma alergia à Paraphenylenediamine (PPD), conforme Tylah compartilhou na rede social. Essa substância pode ser encontrada em cosméticos, como tinturas para cabelo, produtos de limpeza, plásticos, fotocópias etc. 

Entretanto, a dermatologista Michele Haikal ressalta que reações alérgicas graves como essa também podem ocorrer a após contato com outros alérgenos como camarão, anestesia, iodo, formol e esmalte para unhas. “Reações alérgicas que causam edema de Quincke, esse inchaço nas pálpebras, podem levar à morte rapidamente, pois também podem provocar choque anafilático, quando popularmente falamos que fecha a garganta. É uma situação rara, mas é bastante grave”, explica Haikal. O edema de Quincke provoca inchaço nos olhos mesmo quando o elemento causador da alergia não entrou em contato com os olhos.

“Eu cometi um erro e estou tentando proteger os outros. [...] Estou tomando um monte de remédio para me curar e nunca desejaria esta dor para ninguém. Então, por favor façam o teste patch”, escreve a Tylah. O dermatologista Daniel Dziabas confirma que o exame mencionado pela jovem pode evitar alergias como a dermatite, pois avalia a reação da pele por 48 e até 72 horas após contato com as substâncias. “É um exagero que todas as pessoas façam. Eu indico para quem já suspeita de alguma alergia, para pessoas que são alérgicas a esmalte, por exemplo”, diz Daniel.

O oftalmologista Renato Neves, presidente da Sociedade Brasileira do Ceratocone, afirma que pessoas que têm quadros alérgicos como rinite, bronquite e alergias na pele devem ter cuidado redobrado com produtos que podem entrar em contato com os olhos. Uma dica do médico é não usar produtos que contém solventes e dar preferência para itens hipoalergênicos e de base aquosa.