Havana vive dias de frisson com o desfile da Chanel

Maria Rita Alonso - Especial para O Estado de S. Paulo

Depois da visita de Obama e do show dos Rolling Stones, é a vez da marca francesa movimentar a ilha com a apresentação de sua Coleção Cruise

Além do desfile, a Chanel faz a exposição "Obra en proceso / Work in progress"

Além do desfile, a Chanel faz a exposição "Obra en proceso / Work in progress" Foto: Divulgação/Chanel/Anne Combaz

Cuba está no epicentro da alta moda, com a apresentação da coleção Cruise da Chanel, marcada para hoje. A passarela foi armada em pleno El Paseo del Prado, um dos maiores cartões-postais de Havana, e a cidade vive dias de frisson. No domingo, houve o vernissage da exposição Work in Progress, que traz mais de 300 imagens feitas pelo diretor criativo da marca, o estilista Karl Lagerfeld. O evento, na galeria de arte "Factoría Habana", no centro antigo e tombado da capital, contou com a presença do estilista e, naturalmente, elevou as expectativas em torno do desfile. "A riqueza cultural e abertura de Cuba ao mundo a tornou uma fonte de inspiração para Karl Lagerfeld", ressaltou a grife em um comunicado.

 

Em março, a capital cubana recebeu a visita do presidente dos Estados Unidos Barack Obama e, no mês passado, os Rolling Stones pararam a cidade com o show de abertura de sua nova turnê – o primeiro show de rock em décadas. Ontem, ainda, chegou a Havana o navio Cruzeiro Paquete Adonia, com 700 passageiros que pagaram entre 2600 e 9 mil dólares pela viagem - há 38 anos não se via ali um navio vindo de Miami.

 

Trata-se, de fato, de um encontro surpreendente entre o mundo do Fidel, sem marcas, sem cartão de crédito, sem tecnologia, quase sem internet e com um comércio superlimitado, e o da Chanel, que é de altíssimo luxo, está na vanguarda fashion e no topo de uma indústria bilionária. Mas a intenção é atrair os holofotes mesmo. Lagerfeld costuma escolher destinos inesperados ou exóticos para apresentar essa coleção, que ocorre entre as apresentações formais da Semana de Moda de Paris e traz roupas próprias para o veraneio. Seul, na Coreia do Sul, e Dubai, nos Emirados Árabes foram palcos dos últimos dois desfiles do gênero.

 

Desta vez, o desfile deve contar com a participação do neto de Fidel Castro, o modelo estreante Tony Castro. É aguardada também a presença da top brasileira Gisele Bündchen e de seu marido, o jogador Tom Brady, ambos na primeira-fila, assistindo ao show. Ao todo serão 600 convidados da marca, entre o batalhão de jornalistas e editores vindos do mundo todo e sua clientela poderosa e também global. Além do staff gigantesco da Chanel, com centenas de profissionais, modelos, cabeleireiros, organizadores e etc.

 

Em Cuba, Lagerfeld participou de uma reunião com a atriz cubana Ana de Armas, que ganha destaque em Hollywood, onde recentemente rodou o filme Bata antes de Entrar, com Keanu Reeves, e está agora no elenco de "Blade Runner 2". Também esteve com a modelo britânica Stella Tennant, uma das retratadas na mostra de Lagerfeld (desde 1987 ele também atua como fotógrafo). Imagens de moda, de arquitetura e paisagens compõem a exibição, que faz parte da programação do Mês da Cultura francesa em Cuba, e deve permanecer em cartaz até o dia 12 de maio.

 

A estética decadente de Havana, cidade litorânea fundada em 1592 com construções luxuosas  erguidas principalmente entre as décadas de 1920 e 1940, serviu de palco para uma série de ensaios fotográficos de moda nos últimos meses. No Brasil, as revistas Marie Claire e Vogue há anos exploram o cenário onírico para suas fotos. Desde que os Estados Unidos reestabeleceram relações com Cuba, as revistas de moda americanas iniciaram também uma cruzada à ilha.

 

A cantora Rihanna, por exemplo, foi capa da revista Vanity Fair de novembro posando encostada em um carro antigo da década de 50 em Havana. A modelo Adriana Lima também esteve lá, posando para a revista W.  Marcas como Proenza Schouler e Stella McCartney têm citado a ilha como uma influência para as suas criações. Agora é a vez da Chanel.