Dilson Stein: o olheiro que descobriu Gisele Bündchen

Mariana Belley - O Estado de S.Paulo

Com 29 anos de carreira, Dilson Stein revela como descobriu as tops e afirma que, sim, modelo fashion precisa ser alta e magra

"Essa miscigenação que temos no País resulta em mulheres belíssimas"

"Essa miscigenação que temos no País resulta em mulheres belíssimas" Foto: Arquivo Pessoal

A lista de super modelos que o olheiro Dilson Stein já revelou para o mundo vale ouro. Gisele Bündchen, Alessandra Ambrosio e Carol Trentini são alguns nomes que integram essa relação. E tem mais: a atriz Bruna Linzmeyer, sucesso global, e as modelos Thairine Garcia e Daiane Sodré. Todas no mercado internacional.  

Foi um trabalho que começou na década de 1980, na pequena cidade de Horizontina, no Rio Grande do Sul, quando a profissão de modelo no Brasil ainda era apenas um sopro. Hoje, com 29 anos de carreira, uma agência que leva seu nome e que atua em todo o Brasil, Dilson conta que o olheiro está em qualquer lugar: das ruas às redes sociais. O olhar sempre atento a tudo e a todos podem transformar uma jovem garota do interior em uma super top model de sucesso mundial. Foi assim com Carol Trentini, por exemplo. "Ela estava atravessando a rua com a mãe na cidade de Panambi, no Rio Grande do Sul, quando a vimos."

Em entrevista ao Estado, Dilson conta como é a carreira de olheiro ou caça talentos, como o chamam também, revela como descobriu Gisele Bündchen e diz que, sim, modelo fashion precisa ser alta e magra. Leia a entrevista:

Como é feito o trabalho de olheiro?

Tenho uma empresa que hoje atua em 24 estados e equipes espalhadas por todo o Brasil. Se vejo alguém interessante, no shopping ou no aeroporto, por exemplo, vou abordar e passar meu cartão. Outra  forma que nos faz descobrir modelos hoje é por meio das redes  sociais. Nós também descobrimos modelos de forma inusitada, quando estamos de féria ou fazendo um passeio, mas a logística da minha empresa funciona da seguinte forma: escolhemos cidades do Brasil e fazemos uma divulgação com a imprensa local. Pedimos para as  pessoas irem onde a gente está. Elas passam por avaliações de fotos e medidas, depois, as que são aprovadas, passam por um  treinamento e fazem uma nova avaliação. Quem for selecionada, passa por mais uma avaliação, mas agora já com as agências de modelo.

Gisele Bündchen em início de carreira ao lado de Dilson Stein

Gisele Bündchen em início de carreira ao lado de Dilson Stein Foto: Arquivo Pessoal

Quando a abordagem é feita na rua, como é feita a aproximação?

Vou conversar com ela e pergunto se ela tem interesse na carreira de modelo, se ela já pensou nisso e passo um cartão de apresentação. Mas tudo só acontece se os pais estiverem junto. Peço para os pais entrarem em contato, se a pessoa for menor de idade.

O próximo passo são as avaliações. Pedimos fotos, não book. São fotos digitais caseiras, que nós chamamos de polaroid - aquelas fotos sem produção, sem maquiagem.O book só é importante quando você se torna modelo.

Quais são os atributos para um modelo hoje? Eles mudaram  muito nos últimos 10, 15 anos?

Nós trabalhamos com 3 tipos de modelos: infantil, modelo comercial e modelo fashion. A modelo comercial vai trabalhar com publicidade. Aqui, a  altura não é fundamental. Eu já coloquei no mercado modelo de 1,60 de altura, como a Bruna Linzmeyer, que hoje é uma grande atriz. O que a gente olha primeiro é o rosto. E depois o conjunto: corpo, medida e, além de ter o biotipo para a carreira, você precisa ter personalidade e atitude.

Já a modelo fashion, que vai trabalhar com campanhas de moda e desfiles, tem que ser alta, entre 1,75 e 1,80 de altura, há exceções tanto pra cima quanto pra baixo, mas o ideal é essa altura. E a questão da beleza é muito relativa.

Você acha que a tendência de ser bem magra ainda persiste?

Sim! Existe um padrão internacional de medidas. Não somos nós e nem as agências que estipulamos as regra. É o mercado. A modelo tem que ter 88, 89 centímetros de quadril. Mas tem que ter saúde. No mercado comercial esses parâmetros não são tão fixos, mas no mercado fashion é fundamental.

Você ainda vê muitos problemas de transtornos alimentares nessa profissão?

Não. Há pouco porque hoje as modelos são muito bem orientadas. Quem faz loucuras acaba prejudicando a saúde. Nenhum cliente vai trabalhar com uma modelo com uma expressão de doente. Se você tiver que perder medidas, que seja com saúde. Existe, de fato, uma pressão para que se entre nas medidas, mas sempre de uma forma saudável.

Carol Trentidi em início de carreira ao lado de Dilson

Carol Trentidi em início de carreira ao lado de Dilson Foto: Arquivo Pessoal

Você descobriu a Gisele Bündchen, Alessandra Ambrosio e a Carol Trentini. Quais outras modelos e celebridades você descobriu?

A Thairine Garcia e a Daiane Sodré que já estão no mercado internacional e tem a Clarice Vitkauskas e a Cristina Herrmann.

Conte como você descobriu a Gisele Bündchen, Carol Trentini e Alessandra Ambrosio.

Eu e a Gisele somos conterrâneos de Horizontina, no Rio Grande do Sul. Na época, março de 1994, eu morava em São Paulo e voltei para a cidade para ministrar um workshop para modelos. A Gisele foi inscrita pela tia nesse curso para melhorar a postura. Ela já tinha 13 anos e era super alta. Quando eu olhei para ela, fiquei impressionado!

E eu comentei com a tia dela, no primeiro dia que a vi, que a Gisele poderia ser uma das melhores modelos do mundo, mas não me levaram a sério. Um mês depois,fiz uma viagem a São Paulo para apresentar algumas modelos e levei a Gisele. A mãe dela foi a favor desde o início, mas o pai, o sr. Valdir, era contra.

E não deu outra. Cheguei em São Paulo, apresentei as meninas, e o Zeca de Abreu, na época diretor da Elite, hoje da Agência Way, na hora quis levar a Gisele para a Elite. E foi assim... Em 5 anos ela se tornou a maior modelo do mundo.

A história da Alessandra é a seguinte: em 1993, em Erechim, no Rio Grande do Sul, fui ministrar um curso de modelos também. Na época, ela tinha 11 anos. Eu achei ela linda! Pra mim, é uma das mulheres mais lindas do mundo.

E sobre a Carol Trentini: a descobrimos em uma cidade chamada Panambi, também no Rio Grande do Sul. Eu tinha um stalker da minha equipe fazendo um trabalho na cidade e ele viu a Carol e sua mãe atravessando a rua. Foi lá e a abordou. Elas também nunca tinham pensado nisso. Ela foi convidada a conhecer nosso trabalho, participou do nosso workshop e fez uma viagem a São Paulo logo depois. A Carol não tinha condições financeiras para fazer a viagem. Ela organizou uma rifa pra conseguir o dinheiro e deu certo. É outra que merece estar onde está.

As pessoas as vezes acham que para ser modelo não precisa de investimento, acham que é tudo de graça. Em 29 anos de carreira, vejo que aquelas que ganharam as coisas de presente não deram certo.

Gisele Bündchen ainda uma menina ao lado de Dilson

Gisele Bündchen ainda uma menina ao lado de Dilson Foto: Arquivo Pessoal

Você sabe quanto ganha por mês uma modelo que está começando? 

É muito difícil uma modelo chegar no mercado e começar a trabalhar. Elas desfilam e fazem editorial, mas sem muito retorno financeiro. Acredito que demore em torno de 6 meses para começar a ter resultado. 

Você acredita que morar fora do Brasil no início da carreira ainda é uma boa estratégia para ser reconhecida por aqui?

Acho que o início da carreira tem que ser no Brasil. Depois de um período de aprendizado, é hora de você ir para o mercado internacional. Para a modelo comercial, o mercado asiático é excelente. E, de qualquer forma, o mercado internacional é o objetivo de qualquer modelo.

O que você acha desse tendência de marcas brasileiras usarem  modelos estrangeiras como garota propaganda?

Não acho que é uma tendência. Acho que é um momento. Isso vai passar. Na minha opinião, as modelos brasileiras têm muito talento e beleza. Essa miscigenação que temos no País resulta em mulheres belíssimas.

Qual é a mulher mais linda do mundo?

Acho a Gisele Bündchen belíssima, mas, entre as modelos, a Alessandra Ambrósio é a mais bonita.

Alessandra Ambrosio posa ao lado de Dilson. Top foi descoberta aos 11 anos

Alessandra Ambrosio posa ao lado de Dilson. Top foi descoberta aos 11 anos Foto: Arquivo Pessoal