Diferenças entre homens e mulheres que estão sem trabalho

Binyamin Appelbaum - O Estado de S.Paulo

Cerca de 60% das mulheres afirmaram ter melhorado a relação com os filhos, mas somente 22% dos homens disseram o mesmo

Felicidade e a satisfação dos funcionários são temas cada vez mais relevantes na rotina das empresas.

Felicidade e a satisfação dos funcionários são temas cada vez mais relevantes na rotina das empresas. Foto: Stefan/Creative Commons

Homens e mulheres que pararam de trabalhar e vivem com os filhos afirmam que passam mais tempo com as crianças, segundo uma pesquisa publicada pelo The New York Times na semana passada, realizada em parceria com a CBS News e a Kaiser Family Foundation. Cerca de 60% das mulheres afirmaram ter melhorado a relação com os filhos, mas somente 22% dos homens disseram o mesmo.

Trabalhar é algo que está em declínio tanto no caso dos homens como das mulheres nos Estados Unidos. E muitas das razões são as mesmas: crescimento débil, concorrência estrangeira, mudanças tecnológicas. Mas como o Times destacou em vários artigos recentemente, existem também diferenças básicas nas experiências de homens e de mulheres que não estão trabalhando - diferenças que têm consequências de fato para se saber o que seria necessário para essas pessoas voltarem a trabalhar.

A pesquisa sugere que os homens são mais atormentados pelo orgulho. Estão menos dispostos a aceitar um trabalho com um salário mínimo ou iniciar uma carreira num novo campo de trabalho. Frank Walsh foi destacado num artigo pela sua não disposição a trabalhar por US$ 10 a hora, que é mais ou menos o salário por hora de sua mulher que trabalha como professora assistente. "Ela está mais disposta. É mais tolerante".

Ao mesmo tempo, os homens também dão a impressão de que estão mais ansiosos para voltar a trabalhar.

Um número duas vezes maior de homens afirmou estar disposto a gastar uma hora de ida e uma hora de volta no transporte urbano, ao passo que 50% disseram estar dispostos a mudar para outra cidade. Similarmente, os homens se mostraram muito mais dispostos do que as mulheres a voltar a trabalhar ganhando 25% menos do que recebiam no emprego anterior.

Ao que parece a razão é que as mulheres - especialmente aquelas com filhos - dão mais valor à vida em casa. Mais do que os pais, elas citam as "responsabilidades com a família" como uma razão para não voltarem a trabalhar. O que significa que é necessário fazer mais para atrair as mulheres de volta ao mercado de trabalho.

"Com frequência o desafio é insuperável, em parte porque nos Estados Unidos há uma escassez de programas e medidas de natureza política de apoio às mulheres em sua carreira e na idade de ter filhos", escreveram Claire Cain Miller e Liz Alderman no seu artigo no Times sobre a recente queda do emprego no campo das mulheres.

Os homens que não estão trabalhando citaram um declínio no seu bem-estar, com 43% afirmando que sua saúde mental piorou e 16% afirmando que ela melhorou; para 41% a saúde física piorou, tendo melhorado para 19%. Entre as mulheres praticamente não houve diferença na saúde física e apenas 29% disseram se sentir pior mentalmente, com 25% afirmando sentir-se melhor.

A diferença de gênero também ficou visível na maneira como essas pessoas desempregadas passam seus dias.

As mulheres mostraram-se mais propensas a se engajar em atividades como voluntariado, cuidados com a família e prática de exercícios. Quanto aos homens, eles estão mais dispostos a "atividades de lazer que não impliquem exercícios, como ler, assistir à TV e navegar na internet".

Um estudo realizado em 2013 de dados sobre uso do tempo reunidos pelo governo federal chegou a uma conclusão similar. As pessoas que deixaram de trabalhar nos últimos anos devotavam 51% do tempo ao lazer, incluindo dormir, e 30% a trabalhos de casa e pequenas tarefas externas. Ainda de acordo com o estudo, as mulheres realizam mais trabalhos domésticos e dormem mais, ao passo que os homens assistem mais à TV.

Tradução Terezinha Martino