Dieta Ravenna: conheça o método que fez Dilma emagrecer 13 kg

Giovana Romani - O Estado de S.Paulo

Criado pelo argentino Máximo Ravenna, o programa do qual a presidente é adepta elimina batata, farinha e cereais do cardápio e defende a mudança de comportamento para a perda de peso

Antes e depois: Dilma em julho passado, em Brasília, e em foto tirada na última terça (24), em que aparece 13 kg mais magra

Antes e depois: Dilma em julho passado, em Brasília, e em foto tirada na última terça (24), em que aparece 13 kg mais magra Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADAO e AFP PHOTO/WENDERSON ARAUJO

“A gente faz duas coisas: a gente fecha um pouquinho a boca e faz um pouco também de ginástica”, disse Dilma Rousseff no último dia 20 de fevereiro. Visivelmente mais magra, ela explicava a um grupo de jornalistas sua tática para a rápida perda de peso em quatro meses - de novembro para cá, a presidente eliminou 13 kg. Na prática, porém, o programa ao qual ela recorreu para conquistar o objetivo pessoal não é assim tão simples. Criado pelo argentino Máximo Ravenna, o método Ravenna propõe uma dieta de muito baixa caloria (entre 800 e 1200 por dia) e oferece aos pacientes um tratamento multidisciplinar, com acompanhamento médico, nutricional e psicológico, que inclui participação em grupos terapêuticos e a prática monitorada de atividades físicas. 

Para tal, é necessário frequentar uma das clínicas do médico - no Brasil, são três, em Brasília, Salvador e São Paulo. A unidade paulistana funciona em um imóvel amplo no Jardim Europa e conta com restaurante, salas de ginástica e consultórios. Para ingressar lá, deve-se primeiro participar de um encontro em que um profissional da clínica apresenta o conceito e candidatos contam sua história de luta contra a balança. Durante a primeira fase do tratamento, paga-se uma mensalidade de R$ 2 150, que cai para R$ 880 na etapa de manutenção.

A presidente com o argentino Máximo Ravenna, criador da dieta, em foto publicada em janeiro no Facebook da unidade da clínica no Paraguai

A presidente com o argentino Máximo Ravenna, criador da dieta, em foto publicada em janeiro no Facebook da unidade da clínica no Paraguai Foto: Reprodução/Facebook

Dilma não passou pela entrevista inicial e também não frequenta a filial brasiliense da clínica. Os profissionais não comentam a relação com a presidente, mas Moema Soares, sócia diretora do Ravenna no Brasil, afirma que é possível cumprir o programa à distância. “O paciente segue a dieta e as atividades físicas recomendadas em casa e deve comparecer pelo menos uma vez ao mês à clínica para consultas com especialistas”, afirma.

Como funciona o método Ravenna 

Ingestão calórica: 800 a 1.200 calorias, divididas em quatro refeições por dia

O que proíbe: carboidratos de alto índice glicêmico, como doces, pães, massas, arroz, milhos e batata

O que oferece: acompanhamento médico, nutricional, psicológico e de educadores físicos

O que promete: média de perda de 5% a 7% do peso corporal por mês para mulheres e de 7% a 10% para homens

Quanto custa: na primeira fase, a mensalidade é de R$ 2.150 até o paciente alcançar o peso pretendido. Na etapa de manutenção, que dura entre 4 e 5 meses, o valor mensal é de R$ 880

Orientada por Máximo Ravenna e sua equipe, Dilma caminha todas as manhãs e procura seguir à risca o cardápio rígido proposto. Além de baixa caloria, sua alimentação tem baixo índice glicêmico - carboidratos ricos em açúcar, como batata, farinha, pão, bebidas alcoólicas e cereais, são vetados. “Isso porque provocam picos de insulina que mantém um processo contínuo de fome”, explica Moema. Ainda assim, não se trata de uma dieta proteica, já que permite carboidratos de baixo índice glicêmico, a exemplo de frutas cítricas, verduras e legumes como couve-flor e berinjela. Proteínas magras e derivados do leite (iogurte e mussarela light) também estão liberados, mas em quantidades fracionadas. Todos os ingredientes que compõem o prato devem ser pesados antes do preparo. 

A presidente decidiu começar a dieta em novembro, logo após a reeleição, e no dia da posse, dois meses depois, havia perdido 5 kg

A presidente decidiu começar a dieta em novembro, logo após a reeleição, e no dia da posse, dois meses depois, havia perdido 5 kg Foto: ED FERREIRA/AE

A chef de cozinha do Palácio da Alvorada, Andrea Munhos, foi treinada por endocrinologistas do programa para oferecer um cardápio hipocalórico variado para a presidente Dilma (veja exemplo de menu abaixo). Vale ressaltar, porém, que dietas tão restritivas só podem ser feitas com acompanhamento médico. “Não há nada de errado com a dieta de baixa caloria, mas ela acaba não fornecendo todos os micronutrientes que a pessoa precisa, então há necessidade de reposição de vitaminas”, afirma a endocrinologista Cintia Cercato, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). “Existe uma série de cuidados para o paciente não sentir-se mal ou ficar desidratado.”

Um dia da dieta seguida por Dilma

Café da manhã: 1 iogurte zero com uma fruta e xícara média de café com leite desnatado

Almoço: caldo de palmito e salada de alface com tomate cereja antes do prato principal, um medalhão de filé de carne com purê de abóbora. Uma fatia fina de abacaxi como sobremesa

Lanche da tarde: um ovo mexido com duas fatias de mussarela light derretidas e um café com leite desnatado

Jantar: caldo de legumes, salada de folhas e lasanha de berinjela com ricota. De sobremesa, gelatina diet

Por isso, a atividade física deve ser moderada. No Método Ravenna, os pacientes começam com exercícios funcionais leves e, conforme aumentam a ingestão de calorias, são autorizados a realizar treinos aeróbicos de maior intensidade. Outro pilar do programa, o acompanhamento psicológico, é apontado como decisivo para a manutenção da decisão de emagrecer. Comandados por psicoterapeutas, os grupos de apoio permitem que os pacientes compartilhem suas experiências durante o processo. “Eles ocorrem inclusive aos sábados, domingos e feriados, que consideramos momentos de ‘fábricas de gordos’, quando normalmente as pessoas abandonam as dietas até a próxima segunda-feira”, afirma Moema. “É no grupo que o paciente expõe o seu padrão de relação com a comida e passa a ressignificar esse valor exacerbado dado ao alimento”, afirma Moema Soares.

No início de fevereiro, Dilma mostou a silhueta mais enxuta no casamento da ministra Kátia Abreu, que também aderiu à dieta Ravenna

No início de fevereiro, Dilma mostou a silhueta mais enxuta no casamento da ministra Kátia Abreu, que também aderiu à dieta Ravenna Foto: Gustavo Froner/divulgação

Para Cintia Cercato, da Abeso, está aí o maior ponto negativo do método. A endocrinologista acredita que “não se pode tratar o problema como se fosse puramente psicológico”. “Não gosto do discurso do Ravenna de que basta ter força de vontade”, diz a médica. “A obesidade é uma doenca como outras, que envolve uma série de fatores hormonais e genéticos. Considero errado tratar a obesidade como se fosse culpa da pessoa sendo que, muitas vezes, ela é a vítima.” Cintia ressalta ainda que a dieta proposta não tem nada de novo. “A redução significativa de calorias é uma estratégia boa e amplamente conhecida, mas virou moda porque o Ravenna tem um marketing bom”, diz.

Apesar do método ter ganhado visibilidade com Dilma, ele já faz sucesso há alguns anos nas altas rodas. A empresária Luiza Helena Trajano, dona do Magazine Luiza, perdeu 23 kg em um ano. Filha de Fafá de Belém, a cantora Mariana Belém exibiu nas redes sociais o resultado da dieta, com a qual eliminou 15 kg em três meses. Já Eleonora Meniucci, ministra-chefe da Secretaria de Políticas para Mulheres, deixou para trás 17 kg. Foi ela, aliás, quem incentivou a presidente da República a seguir o programa, que agora ainda tem entre seus adeptos políticos o ministro da Justiça, Eduardo Cardoso, a ministra da agricultura, Katia Abreu, e a presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior. Difícil dizer que não se trata de uma dieta poderosa.