Deusas gregas, divas mortiças e uma ode à alta-costura

Mercedes Álvarez, Luis Torres de la Llosa - O Estado de S.Paulo

Coleções oníricas marcam o terceiro dia de desfiles em Paris

Na passarela de Valentino: folhas e flores foram a base da criação

Na passarela de Valentino: folhas e flores foram a base da criação Foto: Reuters

Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, designers da Valentino, trouxeram para a passarela da alta-costura da grife italiana uma coleção onde as folhas e flores foram a base da criação, inspirada nas deusas das pinturas da era pré-rafaelita do século XIX.

Nos corredores do palácio Salomon de Rothschild, em Paris, Valentino Garavani, fundador da grife, assistiu ao desfile de sua marca ao lado da estrela da TV americana Kim Kardashian. A atriz Emma Watson também estava na primeira fila para prestigiar o desfile do estilista italiano.

Flores com o caule longo destacavam-se na silhueta de saias e vestidos de cortes variados. As silhuetas gregas apareceram em vestidos fluídos com mangas e ombros soltos em um recorte perfeito. As modelos pareciam estátuas da Grécia antiga. Tiras de couro desenhavam e contornavam mangas, decotes em V e as cinturas, além de marcar os tornozelos com fitas que iam até o joelho e completavam sandálias sem salto.

O rigor imposto pelas peças em preto e branco deram espaço para a transparência que ganhou detalhes de arabescos geométricos e de flores. A grife cobriu essas peças com delicados desenhos em cortes impecáveis. Na cartela de cores: ouro velho, verde esmeralda, azul e nude.

Jean Paul Gautier recria atmosfera de castelo mal-assombrado

Jean Paul Gautier recria atmosfera de castelo mal-assombrado Foto: Reuters

Jean Paul Gautier recriou uma atmosfera de castelo mal-assombrado com modelos fantasmagóricos. Mortiça, Dalia Negra, Twilight e True Blood foram nomes que o estilista francês deu aos modelos que desfilaram ao som da música "Sweet Dreams". "Dessa vez não trabalhei muito com cores", disse ele, que se concentrou em looks pretos e brancos, roxo, dourado e prateado.

As mil-folhas de organza, o veludo preto, o guipure, os filamentos metálicos e as peles fizeram acenos explícitos ao romantismo gótico e promoveram uma atmosfera mística. As modelos usavam perucas exageradas decoradas com strass ou com os cabelos cobertos por correntes douradas, lembrando "hijab" árabes.

Maison Martin Margiela, normalmente minimalista, surpreende e traz coleção que revive "a memória coletiva da alta-costura"

Maison Martin Margiela, normalmente minimalista, surpreende e traz coleção que revive "a memória coletiva da alta-costura" Foto: AFP

Maison Martin Margiela, normalmente minimalista, surpreendeu com uma coleção que reviveu "a memória coletiva da alta-costura" celebrando os ricos vestidos usados durante o século XVIII com seu rico trabalho de bordados que, para a coleção, apareceram ao lado de pérolas, cristais e fio de seda.  Tecidos antigos adquiridos em leilões estão associados com o bordado que é a trabalho chave da linha.. Há vestidos de festa com coletes comprados em mercados de roupas usadas de Nova York ou Londres. 

Na coleção de Elie Saab há vestidos longos, alguns ganham cauda longa, ajustados na cintura e bordado com lantejoulas e miçangas

Na coleção de Elie Saab há vestidos longos, alguns ganham cauda longa, ajustados na cintura e bordado com lantejoulas e miçangas Foto: Reuters

O libanês Elie Saab, por sua vez, recriou uma atmosfera de palácio para apresentar seu desfile de alta-costura em Paris. Suas peças então prontas para a dança de uma festa de gala, especialidade do estilista. 

Há vestidos longos, alguns ganham cauda longa, ajustados na cintura e bordado com lantejoulas e miçangas: quanto mais brilho, melhor. Para aqueles que procuram algo mais sóbrio, Saab oferece efeitos de luz usando dobras de seda. Do azul ao vermelho, rosa ou preto, a mulher de Elie Saab tem variedades para escolher.