Desfile na SPFW mostra moda africana comercial e globalizada

Gabriela Marçal - O Estado de S.Paulo

Projeto Africa Africans mostrou as criações de estilistas da África do Sul, Nigéria, Quênia, Mali e Camarões

Um evento diferente movimentou o dia de ontem, o último da São Paulo Fashion Week, quando a turma da moda se reuniu no Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, para conferir as coleções de cinco estilistas africanos. Criado pela organização da semana de moda em parceria com o museu, o projeto Africa Africans tinha como objetivo apresentar e desmitifcar a moda feita na África. As modelos negras mostraram roupas sem estereótipos, em um desfile que uniu alfaiataria, vestidos de festa e sportswear. "A ideia era mostrar o que existe além da moda tradicional folclórica", afirma Emanuel Araújo, diretor do Museu Afro Brasil. “As pessoas nem imaginam que os costureiros de lá têm uma produção muito contemporânea."

Cada estilista selecionado representou um país e mostrou linhas diferentes. Palesa Mokubung, da África do Sul, trouxe roupas com estampas de oncinha, Maki Oh, da Nigéria, mostrou sua influência na cultura japonesa, Jamil Walji, do Quênia, apostou nos tecidos com estampas tribais,  Xuly Bët (Mali), trouxes uma leva de jaquetas esportivas, e Imane Ayissi (Camarões) investiu na alfaiataria. O desfile reuniu diversas criações que os designers produziram ao longo de suas carreiras. "A exposição e o desfile tratam de individualidade. Cada estilista têm as suas influências", diz Andy Okoroafor, curador Mostra de Moda Africana Contemporânea. “É fundamental conhecer as informações de moda de diversos lugares e esse mundo globalizado permite isso”, diz a jornalista e consultora de moda Gloria Kalil. “O mais importante foi que trouxeram produções contemporâneas, isso é importante para nós.”