Marca de cosméticos oferece R$ 900 mil em premiação; conheça os projetos brasileiros que concorrem

Isadora de Almeida - Especial para O Estado de S. Paulo

Este é o segundo ano da competição Lush Spring Prize, que busca incentivar inciativas sustentáveis

Uma nova forma de chocolate, feita de cupuaçu, se tornou uma renda extra para comunidade da Amazônia

Uma nova forma de chocolate, feita de cupuaçu, se tornou uma renda extra para comunidade da Amazônia Foto: Divulgação

Sustentabilidade e ativismo são dois dos maiores conceitos por trás da Lush, marca de cosméticos da Inglaterra. Com produtos feitos à mão, a empresa costuma apoiar diversas causas através de suas campanhas e colaborações. Para firmar essa visão, em 2017, a Lush criou uma premiação, em parceria com a Ethical Consumer Research Association - uma associação sem fins lucrativos especialista em trabalho de pesquisa e consultoria sobre temas que relacionem o meio ambiente, direitos animais e direitos humanos - para recompensar iniciativas que disseminem a regeneração socioambiental.

A proposta do prêmio deste ano foi encontrar soluções para problemas relacionados aos direitos territoriais indígenas, degradação do solo, desastres naturais, acesso à água, perda de biodiversidade, saneamento, conflitos e refugiados, oceanos e marginalização. Por exemplo, um dos projetos viu em uma crise de saneamento a oportunidade para criação de novos empregos locais. A ideia é produzir e criar banheiros sustentáveis, nos quais o excremento seria convertido em adubo, e usado por fazendeiros para tratar solos danificados. Os projetos serão premiados em quatro categorias diferentes: projetos estrangeiros, novos projetos, projetos estabelecidos e prêmio de influência. 

Foram mais de 300 inscrições para o Spring Prize 2018, e 53 iniciativas foram escolhidas para fazer parte da competição. Os participantes vêm de seis continentes e 29 países diferentes, incluindo a Malásia, o Zimbábue, a Palestina, a Grécia e o Brasil, que teve quatro projetos selecionados. Conheça um pouco dos projetos brasileiros abaixo: 

Agentes Florestais Quilombolas

 O projeto busca recuperar a floresta ciliar do Quilombo St. Rosa dos Pretos, plantando árvores nativas da região das margens do rio Igarape Samauma, no Maranhão.

Cupulate de Acará 

Uma comunidade amazônica desenvolveu um novo tipo de chocolate, o cupulate, feito de cupuaçu. O projeto irá gerar uma renda adicional para a vila, baseado em um modelo de agricultura regenerativa. 

Guaracy 

O projeto incentiva a agricultura sintrópica (sistema de cultivo agroflorestal) e conecta produtores rurais do Assentamento do Movimento Sem Terra Ho Chi Minh a mercados e feiras orgânicas de Minas Gerais. 

Thydêwá 

Apesar das outras três iniciativas participarem da categoria internacional, o Thydêwá concorre ao prêmio de projetos estabelecidos, já que existe há 18 anos. O objetivo é promover o diálogo intercultural entre indígenas e não indígenas sobre a valorização da diversidade, culturas e conhecimentos tradicionais.

 

A premiação acontecerá em um evento de 3 dias na Emerson College, em Sussex, na Inglaterra, nos dias 14, 15 e 16 de maio. Os vencedores serão escolhidos por um painel de 12 juízes e anunciados na noite do dia 15 de maio. Os jurados são pessoas predominantemente engajadas em movimentos de regeneração socioambiental, um funcionário da Lush e um consumidor da marca.