Biblioteca de modelagens de roupa repensa cadeia produtiva

Marília Marasciulo - O Estado de S.Paulo

No projeto Ateliê Vivo, é possível costurar própria peça a partir de desenhos de estilistas como Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga

"A moda está cada vez mais efêmera e nós queremos conscientizar as pessoas sobre isso, pois a produção de uma roupa é complexa e demorada", afirma Gabriela Cherubini, uma das coordenadoras do projeto. 

"A moda está cada vez mais efêmera e nós queremos conscientizar as pessoas sobre isso, pois a produção de uma roupa é complexa e demorada", afirma Gabriela Cherubini, uma das coordenadoras do projeto.  Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

No primeiro andar da Casa do Povo, prédio centenário no Bom Retiro, pólo têxtil da capital paulista, uma biblioteca de modelagens permite que desenhos de grandes estilistas ganhem forma e novas versões nas mãos de consumidores finais. O local é parte do projeto Ateliê Vivo, que completa um ano em maio e tem como objetivo transformar a lógica da moda e repensar a cadeia produtiva como um todo. Lá, é possível vivenciar o começo, meio e fim da confecção de uma peça. O acervo conta com mais de 300 croquis doados por estilistas como  Alexandre Herchcovitch, Ronaldo Fraga, Wilson Ranieri, Juliana Jabour, e Fernanda Yamamoto.

 

Criado pelo G>E (Grupo Maior que Eu), um coletivo coordenado pela estilista Karlla Girotto que existe há três anos, o projeto recebeu, entre junho e outubro do ano passado, cerca de 300 pessoas interessadas em aprender a produzir a própria roupa. Todos os sábados, das 14h às 21h, artistas, arquitetos, psicólogos e até crianças costuraram as peças na Casa do Povo. Para isso, bastava ter noções de corte e costura (as modelagens são separadas por nível de dificuldade), se inscrever gratuitamente por e-mail e levar o tecido. Com dois metros de um tecido como a chita, algodão que custa em média R$ 5 o metro, é possível fazer uma blusa, vestido ou calça.

 

Em 2015, o projeto teve financiamento do Programa de Ação Cultural (ProAC), oferecido pelo governo do estado. Os organizadores estão em busca de patrocínios para realizar a edição deste ano a partir de maio - uma ideia é fazer uma vaquinha em sites como Catarse. Também há planos de criar oficinas de corte e costura.

"A moda está cada vez mais efêmera e nós queremos conscientizar as pessoas sobre isso, pois a produção de uma roupa é complexa e demorada", afirma Gabriela Cherubini, uma das coordenadoras do projeto. "Está tudo muito acelerado, ninguém pensa, só compra. Esperamos que, ao costurar a própria roupa e entender melhor o processo, as pessoas se questionem e pensem melhor antes de consumir tanto sem necessidade."