Após polêmica, Animale traz duas modelos negras à passarela

Giovana Romani - O Estado de S.Paulo

Em seu desfile na SPFW, grife inspirou-se na elite de jetsetters que circulou pelo mundo entre os anos 20 e 60 e manteve-se distante das acusações de racismo que sofreu recentemente

Apesar da polêmica em que se envolveu na última semana, quando uma vendedora da loja da Oscar Freire foi acusada de racismo pelo pai de um menino de 8 anos, a Animale tradicionalmente coloca modelos negras em sua passarela. E, desta vez, não fez diferente. No desfile da grife, que abriu a edição de verão 2016 da São Paulo Fashion Week, a grife trouxe à passarela duas mulheres negras. Uma delas, Maria Borges, é angolana, estreou na semana de moda brasileira na última temporada e participou de 30 desfiles. 

Na passarela da Animale, a modelo vestiu um look branco com calça de alfaiataria de cintura alta, top e parka esportiva. A mistura do sportswear com o sofisticado permeou todo o desfile da grife, que buscou inspiração no estilo de vida da alta sociedade formada por artistas e intelectuais que circulavam por Paris, Londres e Nova York entre os anos 20 e 60. 

Sob o comando do jovem estilista baiano Vitorino Campos, a coleção deixa de lado a alfaiataria minimal e masculina do inverno para focar em roupas ultrafemininas e com forte apelo comercial. Silhuetas próximas ao corpo - e supersexy -, saias mídi combinadas a tops curtos, tops de tela e peças de ráfia envernizada em tons neutros fizeram contraponto aos casacos longos de lã fria bordados. "Focamos na mistura de texturas e tecidos que é a marca registrada da marca", disse Vitorino nos bastidores, antes da apresentação.