A vibe transgressora da À La Garçonne na SPFW

Maria Rita Alonso - Especial para O Estado de S. Paulo

Desfile assinado por Alexandre Herchcovitch e Fabio Souza aconteceu na quinta-feira, 16, na Bienal do Ibirapuera

Frases e símbolos apareceram nas roupas.

Frases e símbolos apareceram nas roupas. Foto: Mario Lopes/Especial para O Estado de S. Paulo

Se nessa temporada estava faltando conexão entre a passarela e o espírito das ruas (e estava!), não falta mais. No minuto em que começou o desfile da À La Garçonne, com direção criativa de Fabio Souza e do estilista Alexandre Herchcovitch, a vibe transgressora e impertinente dos millennials tomou conta da Bienal, no Ibirapuera.

A SPFW finalmente entrou em sintonia com o comportamento de vanguarda dessa geração que é direta, desbocada, tem sexualidade fluida e consciência ambiental.  A ousadia estava em tudo: no palavrão escrito na meia, na estampa com partes do esqueleto humano, na modelo sem calcinha, nos vestidos-lingeries e nas roupas masculinas transparentes, no garoto de saia, nos tênis com a estampa de corda lançada há duas estações.

Peças esportivas e streetwear com toques fetichistas no desfile da marca.

Peças esportivas e streetwear com toques fetichistas no desfile da marca. Foto: Mario Lopes/Especial para o Estado de S. Paulo

Até o fato de eles evoluírem na mesma linha criativa ao invés de querer reinventar mil modas a cada desfile está alinhado com o zeitgeist da crise e da desconfiança com o fast fashion que descarta tudo rápido. As bolsas ostentando o logo deixavam claro que com três desfiles (este é o terceiro) a marca já virou grife, já virou desejo.

Destaque para as parkas, as jaquetonas militares e os casacos que já viraram hit, agora com flores e uma caixa torácica pintadas à mão, além dos animais selvagens.